Semper vivus, quod necesse est vivere!

Vivendo sempre, porque viver é preciso!

Affonso Abreu – 16/02/2025

Extensa campina, silêncio profundo.
Feridas abertas, dores do mundo.
Caminhos estéreis, areia dos tempos.
Sinfonia de lamentos, amores terminados.
Relicário de tristezas, desesperança.
Desejo fugaz, improvável paz.
Alma conspurcada, crueldade humana.
Eterno perdedor de improváveis batalhas.
Escravo perene de tramas mal vividas.
Cavaleiro andante das causas perdidas.
Muito amor, devaneio, utopia.
Pleno de ternura e delicadeza.
Cultivando incertezas.
Harmonizando lembranças.
Cativo dos sonhos e dos amores,
cavalgava Quixote e seguia adiante.
Altivo, eterno, severo, galante,
conduzia austero o fiel Rocinante.
Ao seu lado Sancho Pança, fiel escudeiro,
montado em Rucio, seu burro falante,
Em seu coração, a doce Dulcinéia,
seu amor eterno, paixão trepidante.
Extensa campina, silêncio profundo.
Magico jardim de rosas e espinhos.
Lá ia Quixote buscando seu ser ou não ser,
iludido, andrajoso, andarilho, viramundo.
Morrendo e renascendo a cada hora, todo dia,
vivendo sempre, porque viver é preciso!


Affonso Milcíades Alves de Abreu

Advogado militante por 40 anos, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Rio de Janeiro, especialista em Psicologia Analítica Junguiana, analista em formação pelo CEJAA – Centro de Estudos Junguianos Analistas Associados.




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