Geração 68: Da Barricada Antifascista à Urgência das Ruas

A Força Popular como Apoio Estratégico a Lula

Amaury Monteiro Junior

Caros (as) companheiras e companheiros do Geração 68 Sempre na Luta,

A urgência que nos moveu contra a ditadura (1964-1985) e o vigor que nos lançou na luta implacável contra o projeto neofascista que assolou o país de 2016 a 2022 permanecem vivos. A interpelação sobre uma possível inércia do movimento não é uma crítica, mas o motor da autocrítica e da vigilância revolucionária que nos define.

Reconhecemos: a sensação de “pausa” pode se instalar após sairmos de um período de mobilização total.

O neofascismo não apenas ameaçou a soberania e a justiça; ele atacou a ciência, a educação, aprofundou as desigualdades e incitou o golpismo, louvando torturadores e vilipendiando a memória nacional.

A Vitória Eleitoral de 2022: Um Ponto de Partida, Não a Chegada

A vitória eleitoral de 2022, que resultou no governo de frente ampla e na retomada de programas vitais, é inegável, fruto da nossa luta e da união popular. Afastamos a ameaça imediata e virulenta.

No entanto, o Geração 68 trairia sua própria história se confundisse a retomada da normalidade democrática com a conquista do “Brasil efetivamente Democrático, Soberano, Socialmente Justo e Igualitário que sempre sonhamos”. Não podemos nos alienarmos dos nossos sonhos de juventude.

O Imperativo Estratégico: Avançar e Demarcar

A volta às ruas não é uma opção; é um imperativo tático e urgente! A continuidade do governo Lula e a completa substituição de forças retrógradas no Congresso Nacional exigem a nossa organização redobrada.

Neste novo período, a missão é clara:

  • Enfrentamento Direto: O enfrentamento ao Centrão e à extrema direita é vital para demarcar, de forma definitiva, a diferença de projeto de país que nos separam, pavimentando o caminho para as eleições de 2026.
  • Novo Patamar de Pautas: É hora de avançarmos para construirmos um novo país com pautas que nos façam integrar com força os desafios do Século XXI, superando em definitivo as agendas já consolidadas nos governos Lula 1, Lula 2 e Lula 3, conforme o próprio Presidente tem sinalizado. A luta contra o rentismo e a submissão ao capital internacional exige a nossa força.
  • Poder de Barganha Popular: Compreendemos que o Presidente Lula precisa do apoio inequívoco da base para negociar com força frente ao Congresso e aos interesses estranhos aos de nosso país. A demonstração de força e de união popular nas ruas é o que confere o poder de barganha para a implementação das políticas de justiça social.

Força da Experiência e o Novo Paradigma: Ecossocialismo

O legado de nossa Geração 68, embora de idade avançada, é um patrimônio inestimável. Essa experiência se traduz na capacidade de formular, construir análises profundas e propor soluções estratégicas. Nossa contribuição primordial é a inteligência e a vontade de lutar sempre, sendo o farol a guiar as novas gerações.

A Revolução, a Democracia e a Justiça continuam sendo nosso horizonte. No Século XXI, no entanto, é imperativo que o movimento integre a pauta ecológica de forma definitiva. A luta pelo socialismo é uma luta Ecossocialista, pois não há justiça social em um planeta devastado, o que exige a soberania ambiental.

Plano de Unidade e Ação

A materialização da nossa Esperança Revolucionária exige a união e o engajamento em ações concretas:

  1. Justiça de Transição e Memória Histórica: Luta incansável pelo julgamento dos torturadores e abertura total dos arquivos para resgate histórico e devolução dos mortos e desaparecidos.
  2. Conferência Nacional do Desenvolvimento Soberano: Apoio e construção conjunta com outros movimentos progressistas para a Conferência Nacional do Desenvolvimento Soberano no próximo ano, palco da unificação das teses para o Século XXI.
  3. Comunicação e Disputa de Narrativa: Fortalecimento das alternativas de comunicação e articulação com Sindicatos, Partidos, Rede Democracia, UNE, Fatoflix, mídia alternativa progressista e demais parceiros para combater as fake news da extrema-direita.
  4. Soberania e Desenvolvimento: Lutar pela retomada dos ativos estratégicos, o combate à submissão a interesses estrangeiros, eliminar definitivamente a submissão a interesses do “Deus Mercado” e a integração da pauta ecológica.
  5. Combate às Desigualdades: Pressionar por reformas estruturais, como a Reforma Agrária, valorização do salário mínimo e revogação da legislação regressiva, rumo ao socialismo e à justiça social.

Conclusão

Neste novo ciclo, a nossa ação se manifesta na articulação contínua, na incansável cobrança e, definitivamente, no incentivo à volta organizada e massiva às ruas.

É imperativo que nossa experiência seja o exemplo a guiar as novas gerações.

Conclamamos a Coordenação e todos os associados a assumirem o papel de parceiros e incentivadores de outros movimentos, contribuindo com nossa inteligência e vivência para a construção da Conferência Nacional do Desenvolvimento Soberano.

Devemos unir nossa experiência com as novas pautas, como o Ecossocialismo, para garantir o Brasil efetivamente Democrático, Soberano, Socialmente Justo, Igualitário e Sustentável que sempre sonhamos.

É hora de avançar para um novo patamar, integrando o Brasil aos desafios do Século XXI.

A Luta Continua, Companheiras e Companheiros!

Às Ruas!

Pela união e inteligência da Geração 68 na construção do futuro desse país!


Amaury Pinto de Castro Monteiro Junior

Engenheiro Civil e professor universitário. Coordenador do movimento Geração 68 – Sempre na Luta e analista do programa semanal “A Política Nua e Crua” do canal you tube Arte Agora.



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