Carlos Eduardo Pestana Magalhães (Gato)
O ataque militar americano à Venezuela, sequestrando tal qual piratas do Caribe, o presidente Maduro e sua mulher, mostra algumas coisas até agora consideradas meio que improváveis de acontecer. Vamos por partes. As cenas dos bombardeios em vários pontos da capital Caracas e de helicópteros ianques sobrevoando a cidade tranquilamente, sem nenhuma oposição, sem nenhuma reação, é no mínimo estranha.
A incapacidade dos radares e de outros equipamentos de vigilância das forças armadas bolivarianas, que deveriam estar prontos e preparados para detectar qualquer coisa anormal, de não “funcionar”, de não avisar de que objetos aéreos se aproximavam da capital cheira ao absurdo.
Impossível de acontecer, ainda mais frente a todo cenário de pirataria que as forças armadas americanas estavam fazendo no Caribe e nas costas venezuelanas. Afinal, as tais forças armadas bolivarianas estavam ou não de prontidão, preparadas para rechaçar qualquer tentativa de invasão?
Mesmo sabendo que os gringos tem um maior poder militar comparado ao da Venezuela, as forças bolivarianas estavam se preparando para alguma ação como a que aconteceu. Pelo menos é o que se esperava e também o que se alardeou o tempo todo. Soldados e civis unidos para defender a pátria.
De concreto, nada aconteceu, foi um passeio dos americanos, uma operação de alto risco entrar e capturar um presidente e cair fora sem nenhuma baixa. Como assim? Igual a um filme de Hollywood sobre os valorosos, corajosos e capazes soldados americanos? Um final com a bandeira ianque tremulando na tela?
Suposições. Essa operação pode indicar que o presidente Maduro foi vendido aos americanos em troca de pararem com a ameaça de invasão, de futuras negociações sobre o petróleo venezuelano controlado por empresas ianques e de criar no país sulamericano uma base de desestabilização política, econômica e militar nos países centro e sul americanos contra governos progressistas e de esquerda. México, Colômbia, Cuba e Brasil que se preparem, vem chumbo grosso por aí. Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Equador e Bolívia são aliados dos EUA.
Colômbia, Uruguai e Brasil, ainda não, mas estão na alça de mira dos americanos, as eleições presidenciais brasileiras serão um campo de batalha e de provas numa guerra híbrida profunda visando eleger e/ou dar um golpe caso o Lula seja eleito. A dúbia posição brasileira no cenário internacional de ter um pé na canoa dos BRICS+ e outro no G20, controlado pelo império ianque, indica que o governo Lula não está afim de conflitos, quer estar de bem com todos, como se isso fosse possível…
Num mundo onde a geopolítica indica uma ultra competição entre os países do OTANISTÃO (EUA, Europa e aliados) e o bloco ainda em formação dos BRICS+, essa opção é arriscada, não é confiável, visto que o que aconteceu com a Venezuela é claramente um ataque às pretensões dos BRICS+ na América Central e Caribe e do Sul.
Mesmo sabendo que a Europa está se desmanchando rapidamente e que a União Europeia (UE) está em franco conflito com os EUA por causa da guerra na Ucrânia, é fato que mesmo assim ela se posicionará a favor dos americanos. A dependência política, econômica e militar dos europeus com os gringos é total, por mais que esperneiem e gritem que são independentes. Não são e quem sabe, sabe…
Nesta situação dúbia que o governo Lula mantém no cenário internacional, ao invés de protegê-lo pode ao contrário, prejudicar e, quem sabe, adiantar o golpe em andamento com os milicos golpistas brasileiros no comando.
O recado americano foi dado, tudo é possível de acontecer visto que, fora as retóricas vazias, os discursos voluntariosos, as ameaças infantis e inócuas de retaliação (onde? como?), as apelações ao inexistente direito internacional e a inoperante ONU, o império ianque ainda está vivo e fará de tudo para manter o controle do seu histórico “quintal”. Fará qualquer coisa, como fez na Venezuela inerte, sem reação.
Caso algo parecido acontecesse no Brasil, não seriam necessários soldados e equipamentos militares americanos. As forças armadas brasileiras fariam essa operação tranquilamente, sequestrariam o Lula, o Xandão, o Alckmin e/ou quem mais for necessário num piscar de olhos.
A proximidade política, ideológica, econômica e a dependência dos milicos brasileiros em termos de equipamentos, logística e protocolos com os americanos é de tamanha ordem, que fazer isso seria natural e esperado. O plano seria feito e executado conjuntamente e, se concretizado sem problemas, seria festejado talvez em Miami ou na Barra da Tijuca. Lugares não faltariam…
Os gringos deixaram claro ao continente latino americano, vocês me pertencem, e a tranquilidade com que a operação de sequestro foi realizada sem nenhuma reação das forças bolivarianas indica que “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia” ou onde tem fumaça, tem fogo. Pode ser tudo isso uma grande ficção, a História mostrará.
Agora, com certeza o Itamaraty sabia ou desconfiava de que esse sequestro a “la piratas do Caribe” aconteceria. Assim como a Rússia, China e demais países dos BRICS+. Deixaram acontecer? A que preço? Farão alguma coisa fora discursos choramingando o acontecido? O Mossad e britânico MI6 estiveram envolvidos dando inteligência aos americanos? Improvável? Tal qual na Netflix, vejamos os próximos capítulos…
Carlos Eduardo Pestana Magalhães (Gato)
Jornalista, sociólogo, membro da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, do Grupo Tortura Nunca Mais e da Geração 68 Sempre na Luta.



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