Alerta na América Latina: Contra o Terrorismo de Estado e pelo Levante da Soberania

Amaury Monteiro Junior – 03-01-2026

O tempo da hesitação ficou para trás. O ano de 2026 nos coloca diante de uma encruzilhada que não permite a passividade ou a crença na política dos “pequenos avanços”, uma armadilha retórica que muitas vezes mascara o fisiologismo e a entrega de espaços decisórios a grupos que não possuem compromisso com o povo. A invasão da Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, na madrugada de 3 de janeiro de 2026, representam mais do que uma crise diplomática; são um ato de guerra contra a autodeterminação de todos os povos da América Latina.

O Laboratório do Império: Por que a Venezuela é o Nosso Espelho?

O que se executa hoje em solo venezuelano é o amadurecimento de uma estratégia de Terrorismo de Estado que o Brasil já conheceu em momentos sombrios de sua história. O sequestro de líderes eleitos e a imposição de um lawfare global — utilizando tribunais estrangeiros submetidos a interesses autoritários — servem como um aviso final para qualquer nação que pretenda exercer controle sobre suas próprias riquezas estratégicas.

É preciso observar com clareza: o alvo central desse movimento é o controle do petróleo, das terras raras e das reservas do pré-sal brasileiro. O imperialismo que hoje ataca Caracas é o mesmo que, por meio de operações arquitetadas para desestruturar nossa engenharia e a Petrobras, tentou nos converter em meros exportadores de grãos e minérios, submetendo-nos a uma dependência tecnológica e financeira degradante. Um país sem soberania sobre seu câmbio, sua energia e seu crédito não decide seu futuro; ele apenas cumpre as ordens do sistema financeiro transnacional.

A Superação da Conciliação e a Memória como Práxis

A experiência histórica nos ensina que a conciliação de classes não é o caminho para a soberania, mas um desvio que desarma o povo e pavimenta o retorno do fascismo. É necessário questionar a postura de uma esquerda que, em certos momentos, recuou das ruas e inibiu as reivindicações populares em nome de uma governabilidade que favoreceu apenas o agronegócio e o rentismo.

Não falo como quem guarda o passado em um arquivo, mas como continuidade de um sonho que resistiu à prisão e à tortura. O espírito de 1968 não é nostalgia; é o combustível para transformar o presente. Busco a síntese entre a memória das lutas contra a ditadura e a energia das novas rebeldias urbanas e periféricas, consolidando uma atuação que fale a língua das ruas e recuse o isolamento acadêmico.

Bandeiras de Luta: O Projeto Contra a Ditadura do “Possível”

É urgente propor caminhos que enfrentem o cinismo de quem justifica a fome como uma fatalidade econômica. Minha convicção se baseia em eixos que considero fundamentais:

  • Soberania Absoluta sobre Recursos: O petróleo é do povo! A Petrobras deve ser o motor do desenvolvimento nacional, revertendo a lógica que privilegia acionistas estrangeiros em detrimento das necessidades básicas do brasileiro.
  • Educação Libertadora: Recuso o modelo das Escolas Cívico-Militares e qualquer tentativa de converter salas de aula em espaços de adestramento ou quartéis. Defendo universidades que produzam ciência para extinguir a fome e promover a dignidade humana.
  • Soberania Ambiental Popular: O meio ambiente não é mercadoria para o “capitalismo verde”. A preservação da Amazônia e das águas deve estar sob o controle estatal e popular, protegida contra a pilhagem colonialista.

Convocação: O Dever de Estar Presente nas Ruas

Espero do governo brasileiro uma postura de altivez, rompendo com a inércia e liderando uma resistência continental firme contra crimes internacionais que ferem a soberania regional. A história demonstra que a desmobilização popular é o primeiro passo para a derrota; sem o povo em movimento, as instituições tornam-se apenas gestoras dos interesses da burguesia.

O compromisso com o futuro não aceita os dogmas do teto de gastos que mutilam a soberania popular e condenam o país ao subdesenvolvimento. A ocupação das ruas e a conscientização das bases são os únicos caminhos capazes de reverter o desmonte nacional. Minha herança é a luta pela emancipação humana total e pela nossa segunda e definitiva independência.

Pela Independência e Autodeterminação dos Povos!

Contra o Terrorismo de Estado e a Agressão Imperialista!

Soberania ou Barbárie – É Tempo de Agir!


Amaury Pinto de Castro Monteiro Junior

Engenheiro Civil, Professor Universitário, ancora do programa “A Política Nua e Crua” no canal Arte Agora, militante e participante da coordenação do movimento Geração 68 – Sempre na Luta.



Descubra mais sobre Geração 68

Inscreva-se agora mesmo para continuar lendo e receber atualizações.

Continue lendo