Embuste e fracasso

Francisco Celso Calmon

Essas são as palavras mais adequadas para categorizar a caminhada do Nikolas “Chupetinha” Ferreira à Brasília, com o intuito de angariar apoios suficientes para que o genocida de Bolsonaro vá para a casa.

Veja que não é mais nem uma questão de cárcere humanizado, porque a Papuda onde ele está é melhor do que muitos domicílios, arrisco dizer que até mais de 80% dos domicílios da sociedade brasileira.

Embuste porque não foi feita uma caminhada. Segundo o que foi possível apurar até então, após dias de encenação midiática, com imagens cuidadosamente editadas de esforço solitário na rodovia, tinha na verdade carro acompanhando, descansos periódicos no carro, e, ainda por cima, Nikolas e sua gangue criminosa, que ocupam lugares no Congresso, foram vistos no luxuoso Hotel Quartzo, em Cristalina, para um longo “descanso”.

Esse circo ganha contornos ainda mais cínicos com a aparição sorrateira de Carlos Bolsonaro no mesmo hotel, evidenciando que o núcleo duro do bolsonarismo trata a encenação como um evento de custódia compartilhada. Enquanto a base é convocada ao martírio político, a cúpula desfruta do conforto.

Isso é próprio da extrema-direita: ser embusteira, trapacear, ser ilusionista.

E o fracasso é porque não vai dar em nada. Foi considerado um vexame. E mais uma vez esse imberbe “Chupetinha” fez o que faz de melhor: palhaçada.

A especialização de Nikolas é ser o bobo da corte agitador da extrema-direita, nada mais, nada menos.

Usa da idade para ser o rosto da juventude reacionária nas redes sociais, usa do seu tempo no Congresso para realizar crimes de preconceito contra outras colegas deputadas, e usa suas palavras explosivas para desviar a atenção do público das constantes investigações que a PF faz de sua família por desvio de emendas e tráfico de drogas.

Agora, está usando seu único dom para enganar a massa bolsonarista a ir se humilhar na beira de uma estrada lamacenta, em uma luta fantasiosa contra o STF e a própria Constituição brasileira, enquanto Nikolas descansa os pés frágeis em um hotel luxuoso, olhando-os de cima, certamente com nojo de ter de passar tantas horas do dia perto do cheiro do povo na estrada.

É a velha cartilha do populismo reacionário, que transforma a política em circo e a indignação em espetáculo vazio.

“Hoje tem marmelada? Tem sim, senhor. Onde está o palhaço?”. Tá caminhando para Brasília. “E qual é o seu nome?”. Chupetinha Nikolas.

Essas palhaçadas têm um custo material, bancada pelo nosso dinheiro.

Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon (Ferreira da Silva) é analista de TI, administrador, advogado; militante histórico e combatente à ditadura militar.
Sua luta começou cedo, como líder no movimento estudantil da UESES no ES e da AMES no Rio.
Foi dirigente regional da AP e organizador e coordenador do NML (Núcleo Marxista-leninista) – dissidência da AP; foi comandante regional do Colina (Comando de libertação nacional) e foi um dos fundadores da VAR Palmares.
Após a redemocratização, foi um dos organizadores da APPD – Associação de Profissionais de Processamento de Dados; um dos fundantes e coordenadores da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; é coordenador do Canal Pororoca.
Autor das obras: “Sequestro Moral, e o PT com isso?”, “Combates pela Democracia”, editor e autor da obra “60 anos do golpe: gerações em luta”, “Combates pela Democracia”, e “Memórias e fantasias de um combatente”, coautor das obras coletivas: “Resistência ao golpe de 2016”; e “O processo Lula, uma sentença anunciada”.
No campo profissional foi técnico de Ti, operador do direito e gestor de empresas públicas, estatais e privadas.


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