Alexandre Santos
Refletindo o sentimento mundial de repulsa ao controle dos Estados Unidos sobre o sistema monetário internacional, em claro indicador da progressiva debacle do Dólar, a cotação do Ouro superou os US$ 5.100 por onça (unidade de peso equivalente a 28,35 gramas).
Este movimento dos espertos especuladores – um pessoal cujo faro aponta a direção para onde sopram os ventos com precisão – significa que ter o dólar como reserva deixou de oferecer a garantia desejada para quem quer proteger valores.
De fato, a instabilidade internacional e no interior dos Estados Unidos decorrente das políticas irresponsáveis levadas adiante por Donald Trump tem refletido na moeda estadunidense, que, em ritmo acelerado, vem perdendo solidez e confiabilidade.
Aliás, este processo demorou muito a começar, pois deveria ter iniciado em 1972 – quando Richard Nixon rompeu unilateralmente os acordos de Bretton Woods e declarou a inconversibilidade do Dólar – e aprofundado em escala correspondente ao crescimento da emissão dos títulos da divida pública dos Estados Unidos – prática que, objetivamente, significa que a moeda estadunidense é desprovida de qualquer lastro material (e, portanto, não passa de um pedaço de papel pintado, constituindo, no fundo, um ‘dinheiro falso’.
Nos dias correntes, especialmente por conta do funcionamento dos BRICS, há um movimento ainda esparso no sentido da adoção de outras moedas no comércio internacional, debilitando, ainda mais, o Dólar.
Uma coisa é certa: com Trump ou sem Trump, enquanto eixo e motor do sistema monetário internacional, o Dólar está com os dias contados (naturalmente, com Trump a ruína ocorrerá mais rápida).
Alexandre Santos

Engenheiro civil, ex-presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco e membro da Academia Pernambucana de Engenharia




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