Alexandre Santos
A sujeira é muito grande e não para de crescer.
Ontem, convencido de que as falcatruas começaram nos tempos de Paulo Guedes e Roberto Campos Neto e estarrecido com o teor das conversas e das mensagens apuradas na decriptação do telefone do “trambiqueiro” Daniel Vorcaro, o diretor-geral da Polícia Federal (PF) Andrei Rodrigues pediu para ser recebido imediatamente pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Édson Facchin. O diretor-geral tinha boas razões para isso, pois, além do envolvimento de senadores, deputados, governadores, prefeitos e outras autoridades nas três esferas de poder e nos três níveis da administração pública, apareceu com destaque a possível cumplicidade do ministro Dias Toffoli, que ainda no começo do escândalo avocou a relatoria do Caso Master para si.
Recebido horas mais tarde pelo presidente Edson Facchin, sob o sigilo permitido pelas paredes do Palácio da Justiça, o delegado Andrei Rodrigues contou tudo e pediu a suspeição do ministro Dias Toffoli para continuar à frente do caso.
Mas, não parou nisso.
Em entrevista concedida a poucos metros de distância, o presidente da comissão de assuntos econômicos do Senado Federal Renan Calheiros denunciou que o ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), teria sofrido pressão do centrão para reverter a liquidação do Banco Master.
Coincidência ou não, àquele mesmo instante, a poucos quilômetros dali, em medida que parece inspirada no famoso parecer Guilherme Derrite (que tentava condicionar a ação da PF à vontade dos chefões do crime), o ministro Jhonatan de Jesus proibiu o acesso do Banco Central ao processo referente ao Banco Master, condicionando-o a sua expressa autorização.
Enquanto isso, o caso Master se espalha pelo Brasil, indicando que a sociedade está muito longe de saber sobre aquilo que sustenta a parte não visível do iceberg – no Balneário Camboriú, meca dos bilionários e trambiqueiros, a terceira fase da Operação Barco de Papel (que apura crimes contra o sistema financeiro na gestão do Rioprevidência) chegou a um condomínio de luxo, levando a que um dos bandidões jogasse uma mala com R$ 480 mil pela janela; no Amapá, espelhado na atitude do Diretor Jurídico do BRB, o Presidente da AMPREV (o fundo previdenciário do Amapá) também pediu demissão do cargo; até o início de fevereiro de 2026, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já havia pago mais de R$ 36 bilhões a credores do Banco Master.
Não há dúvida de que, sob todos aspectos, o Caso Master constitui um dos maiores escândalos da história do País.
Publicado originalmente em 12/02/2026 no blog: http://www.alexandresanttos.com.br
Alexandre Santos

Engenheiro e escritor. Ex-presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco e presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Escritores, presidiu a União Brasileira de Escritores e faz a coordenação nacional da Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural. Autor premiado com livros publicados no Brasil e no exterior, Alexandre é o editor geral do semanário cultural ‘A voz do escritor’ e diretor-geral do canal ‘Arte Agora’.




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