Carlos Eduardo Pestana Magalhães (Gato)
A Fernanda Torres, com sandálias havaianas nos pés, avisou. Neste ano de 2026, nada de entrar com o pé direito, mas entrar com tudo, chutar o balde com os dois pés. Deu um bafafá dos bons. Ou entra-se assim ou os monstros destroem tudo. Bom, já estão destruindo. Os fascistas neste ano farão de tudo e mais um pouco para voltarem ao governo.
Estão fazendo, têm muito dinheiro, apoio nacional e internacional, controlam as grandes mídias, as redes sociais, as forças armadas e seus tentáculos na sociedade (PM, Civil, GCM, Força Nacional etc.), continuam com suporte dos evangélicos, do crime organizado (PCC, CV e demais) e das milícias.
O Brasil precisa voltar ao círculo de poder da direita fascista mundial no confronto geopolítico entre o império americano e os BRICS. Controlar o país, o maior e mais poderoso do Hemisfério Sul, representa muito no tabuleiro internacional. Seria uma ganho importante para o Norte Global…
Sempre é preciso lembrar que as forças armadas tupiniquim representam, desde o fim da segunda guerra e início da guerra fria, extensão dos militares americanos no Atlântico Sul num eventual confronto com os inimigos dos EUA, seja quem for.
Quando da URSS e do Pacto de Varsóvia, mesmo sem pertencer a OTAN/NATO oficialmente, os milicos brasileiros faziam parte da estratégia de defesa do Ocidente numa eventual guerra.
Não por acaso, a maioria dos equipamentos de guerra eram de origem americana ou de países pertencentes ao pacto militar ocidental. Aviões franceses e suecos, blindados alemães e italianos, navios/submarinos ingleses e franceses, tecnologia avançada francesa, italiana, israelense etc.
E suma, pouca coisa projetada e feita no país, a maioria importada. Essa realidade permanece, em que pese a existência de alguma indústria armamentista como o caso da Embraer, que projeta e fabrica aviões civis e militares, mas com motores e aviônicos importados.
No período em que o Brasil tinha uma indústria armamentista de peso e de qualidade, durante as décadas de 1970-1980, ainda sob a ditadura civil militar de 64, blindados produzidos no país e de excelente qualidade testados nos campos de batalha da época, deixaram de ser feitos.
O tanque Osório, por exemplo, mostrou ser melhor que qualquer outro blindado produzido pelos países da OTAN (EUA, Inglaterra, Alemanha etc.) quando confrontados nos testes e nos campos de batalha. Eram equipamentos modernos, simples, de fácil manutenção (motores e peças usadas eram adquiridas nos mercados normais, sem a sofisticação dos outros blindados) e mais baratos.
Essa inicial tentativa de independência nos equipamentos militares acabou, voltou-se a importar e, às vezes, acontece uma “joint venture” com alguma empresa estrangeira como as italianas, espanholas, suecas etc. Raramente é um projeto nacional, na maioria das vezes são atualizações e modernizações de projetos já existentes.
Essa realidade histórica e estrutural é importante para deixar claro que os militares brasileiros, face a essa interface com a OTAN, têm como protocolo e objetivo não a defesa do país, mas a defesa dos interesses geopolíticos e geoeconômicos do bloco ocidental, ainda liderado pelo império americano.
O fascínio em fazer parte do governo, em ser reconhecido como um quarto poder republicano (numa república só existem três poderes: executivo, legislativo e judiciário) chamado de moderador, algo totalmente inexistente, dos militares brasileiros desde a criação do exército, acabou se associando a doutrina militar americana quando da guerra fria.
Essa associação reforçou o caráter político da corporação militar do Brasil na disputa do poder interno por golpes. Desde a proclamação da república, em 1889, que representou o primeiro golpe de estado da fase republicana, os milicos já deram mais de 10 golpes, entre os que tiveram sucesso e não. Quase um por década…
E por sua doutrina ideológica conservadora (ordem e progresso para quem?), os militares no poder defenderam e defendem majoritariamente o Capital nacional ou internacional, o projeto econômico de produção e exportação agrária e mineral e a manutenção da classe trabalhadora na condição de escravos modernos. Essa tem sido a lógica e o padrão defendido pelos milicos desde sempre.
Não existe nenhuma preocupação com a soberania, fronteiras, constituição, com o país, até porque o material militar que equipa as forças armadas, as três armas, são insuficientes e de pouca serventia numa guerra moderna. Mas, estão adequados ao serviço e objetivo reais propostos: ocupar, controlar, fiscalizar e policiar a sociedade brasileira.
Mesmo não estando oficialmente no governo, por terem a primazia constitucional de portar e utilizar armamentos, os militares na prática e oficiosamente são um quarto poder. Por respeitarem única e exclusivamente a corporação, enquanto organização se prestam a qualquer serviço desde que sejam recompensados regiamente. São essencialmente mercenários a serviço do Capital e assim permanecem..
ELEIÇÕES…
Neste ano, em função das eleições, a direita fascista fará de tudo e mais um pouco para garantir maior espaço na mídia oficial e nas redes sociais.
É preciso desestabilizar o governo de qualquer maneira, ações violentas, cruéis e letais produzidas pelas corporações militares/militarizadas fantasiadas de polícia, as PM, a Civil, as GCM, Força Nacional, Polícia Penal etc. aumentarão, espalhando mais terror e medo nas classe trabalhadoras. Já está acontecendo…
Em Minas Gerais o vice-governador declarou que não acatará a decisão da justiça de não implantar escolas militares. Em Santa KataReich, o governo desafia a legislação educacional acabando com cotas nas escolas. Na Bahia, governado pelo PT há décadas, a violência e letalidade da PM baiana continua na mesma toada. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, os dois Mato Grosso, Reich Grande do Sul, as PM e às Civil mantém a rotina de violência, crueldade e letalidade. Aumentarão…
O adestramento militar nas escolas públicas se alastra pelo país e o governo federal se omite. O crime organizado no próprio Estado, associado às organizações tipo PCC, CV etc. crescem, se alastram, tornam-se empresas S.A., bancando candidaturas do Centrão, evangélicos etc.
As redes sociais invadem a cabeça de todos com informações falsas, manipulando diariamente as pessoas. Essa guerra híbrida é assimétrica não porque as esquerdas não tem como lutar. Talvez porque se esqueceram de como se luta, de porque se luta e por qual razão se luta. Votar não é lutar…
Ficar repetindo que não há projeto de nação, de estado, de sociedade que não apenas mais do mesmo nas esquerdas é cansativo, não avança.
A tese de que se precisa ganhar as eleições para evitar o mal maior, a volta do fascismo a qualquer custo, é real, mas estruturalmente o que muda? Se os mesmos nordestinos que votaram no Lula para presidente votaram em peso nos candidatos do centrão para governador, prefeito, deputados, vereadores e senadores, algo está profundamente errado. Ou não?
Povão não vota por ideologia, não é de esquerda e nem de direita. Vota em quem garante de alguma forma sua sobrevivência nem que seja por mais um dia. Todos votos são de cabresto seja a esquerda, a direita e os religiosos.
O distanciamento das esquerdas com as classes trabalhadoras é tanto que não se consegue dialogar, debater, conversar, estar junto com os mais vulneráveis, com os que mais precisam…
Tanto faz se o governo é isso ou aquilo e desde que atenda minimamente suas necessidades, tudo bem. Se não atender, por mais que sofram, como realmente muitos sofreram no governo do genocida, não pesa tanto.
Estão historicamente acostumados ao sofrimento e à falta de atenção do Estado há séculos. Pouca coisa mudou, mesmo que as atuais migalhas sejam maiores e mais abundantes. A desigualdade social gigantesca continua..
Sob essa realidade de distanciamento das massas, a única discussão que está presente no cenário político é se o governo Lula deve ou não se aproximar mais ainda da direita para garantir votos na eleição. A tal inexistente governabilidade.
Se fulano ou beltrano seria melhor ou pior como vice-presidente ou se esse ou aquele partido político interessa estar nessa frente ampla, e bota ampla nisso.
Toda discussão e debate só acontece no institucional, nos andares de cima e lá embaixo, a massa continua sem ver futuro, sem esperança que não as promessas que evangélicos oferecem a preços módicos mensal de uma vida eterna melhor.
Na real, a classe trabalhadora é esquecida, é tratada como se fosse uma criança necessitando de cuidados, de algum carinho, que destino seguir.
O que devem ser e fazer é decidido nos andares de cima, pelas brilhantes e vanguardistas mentes ditas progressistas. Perto das eleições, todos candidatos se aproximam, afagando cabeças, beijando rostos suados, prometendo, ouvindo, concordando, frequentando cultos religiosos e assim LA NAVE VÁ!
As propostas que aparecem são basicamente as mesmas, nem reformistas são. Mantém os privilégios dos que sempre foram privilegiados historicamente.
Os discursos são os mesmos apontando caminhos que jamais serão usados, a retórica vazia e hipócrita não muda e o importante mesmo é se manterem no governo, no mando de alguma coisa, conciliando com quase tudo e com quase todos, sempre de justificando e se escudando no mantra: ou é isso ou é o fascismo. Como não há escolha, vai-se de mais do mesmo…
Carlos Eduardo Pestana Magalhães (Gato)

Jornalista, sociólogo, membro da Comissão Justiça paz de São Paulo, do Grupo Tortura Nunca Mais e da Geração 68 Sempre na Luta…




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