Francisco Celso Calmon – 10-02-2026
A compreensão de um texto passa por entender o todo para analisar as partes.
O mais importante no meu texto é ratificar que, mesmo na atualidade na qual as condições objetivas e notadamente as subjetivas não estão amadurecidas para uma revolução, é necessário pregar a sua necessidade como obrigação do revolucionário.
Em outros termos: retomar a luta ideológica contra o capitalismo e o imperialismo.
Do meu artigo em debate reproduzo: O raciocínio cartesiano…: se não há condições, logo não se faz revolução.
Onde está a falácia deste raciocínio?
Está em que na falta de condições, não se faz, mas se prega a (necessidade) revolução, se combate a ideologia burguesa e o sistema capitalista.
O dever de todo revolucionário na atualidade é pregar a revolução.
Para tanto, e recorrendo ao artigo Duas Táticas do Lênin, o meu texto propõe: Duas táticas para a conjuntura: 1. Trabalhar para que o governo Lula 4 ser à esquerda; 2. pregar a necessidade da revolução anticapitalista e imperialista.
Portanto, a esquerda deve desde já procurar influir no programa de governo que será apresentado à sociedade.
A história dos governos Lula tem mostrado que Ele não quer remoer o passado, e não fez, lamentavelmente, nada no sentido da implementação da justiça de transição.
As Comissões sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da ditadura e a Comissão da Anistia foram criadas pelo governo do Fernado Henrique Cardoso e a Comissão da Verdade por Dilma Rousseff.
No governo Lula 3 a CEMDP, com orçamentário precário recorreu a emendas parlamentares; a Comissão de Anistia está fraudando a Constituição e a lei para tratar os caso como manadas, a toque de caixa, para encerrar neste ano de 2026 as pendências. Para isso, vem subvertendo as regras e reduzindo drasticamente as indenizações, por orientação do governo, conforme demostrei neste artigo https://jornalggn.com.br/cidadania/pragmatismo-ao-arrepio-da-lei-por-francisco-celso-calmon/; https://www.brasil247.com/blog/pragmatismo-ao-arrepio-da-lei#google_vignette.
A tática 1, no contexto da nossa geração 68, é batalhar para que os arquivos das Forças Armadas sejam abertos e elas, as FFAA, peçam perdão à nação pelos crimes cometidos do golpe de 64 até os 21 anos da ditadura militar.
O artigo “O dever do revolucionará é pregar a revolução” finaliza assim: Ousar para conquistar, conquistar para vencer, vencer para empoderar a base da classe trabalhadora.
O paradoxo é que não há um proletariado com consciência revolucionária, por conseguinte, o que vem ocorrendo é a ascensão de uma elite burocrática-pelega.
O artigo em análise faz uma distinção importantíssima entre a pregação pelega/ reformista e a revolucionária.
A primeira defende a revolução social desconectada da revolução pelo poder político, é o pragmatismo republicanista, e a segunda é a combinação e na medida e no sentido de alterar a correlação de forças.
Por fim, por menos importante, não há defesa ao voluntarismo, mas a consideração ao que ocorreu com o foquismo de Guevara e o voluntarismo do Marighella.
Na dialética da luta política, ação e organização se retroalimentam. Organização sem ação produz o burocratismo diletante, ação sem organização produz aventureirismo.
E aquele artigo e este conclui assim, como uma atividade permanente da luta de classes, voltamos ao que fazer e a resposta é, ao que já se tornou um mantra, FOP: Formação. Organização e Participação.
Nem todo gato é pardo, nem todo cão é caramelo, mas a realidade é dialética. Esta frase não é retórica, mas uma observação sutil aos que não analisam sob a ótica do materialismo histórico e dialético.
Objetivo e método não devem ser separados: revolução, objetivo, método, FOP no exercício da luta de classes.
Sugiro aos que não estão a par do tema em debate, suscitado pelo artigo sobre o dever atual do revolucionário, para fazê-lo, sob pena de entender pelo interpretado pelo comentarista.
A Justiça de Transição deveria ser o foco nuclear do MG68.
Valeu, companheiro Amaury, pelo esforço em fomentar o debate no seio do MG68.
Francisco Celso Calmon

Analista de TI, administrador, advogado; militante histórico e combatente à ditadura militar.
Sua luta começou cedo, como líder no movimento estudantil da UESES no ES e da AMES no Rio.
Foi dirigente regional da AP e organizador e coordenador do NML (Núcleo Marxista-leninista) – dissidência da AP; foi do comando regional do Colina (Comando de libertação nacional) e foi um dos fundadores da VAR Palmares.
Após a redemocratização, foi um dos organizadores da APPD – Associação de Profissionais de Processamento de Dados; um dos fundantes e coordenadores da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; é coordenador do Canal Pororoca.
Autor das obras: “Sequestro Moral, e o PT com isso?”, “Combates pela Democracia”, editor e autor da obra “60 anos do golpe: gerações em luta”, “Combates pela Democracia”, e “Memórias e fantasias de um combatente”, coautor das obras coletivas: “Resistência ao golpe de 2016”; e “O processo Lula, uma sentença anunciada”.
No campo profissional foi técnico de TI e diretor de empresas públicas, estatais e privadas.




Deixe um comentário