Francisco Celso Calmon em coautoria com Ligia Bacarin
Não se trata de um desejo belicista, mas da constatação realista de que, no atual tabuleiro, a dissuasão é o único idioma compreendido. O Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) sempre foi um pacto dos que já tinham a bomba para negá-la aos que vieram depois. O Brasil, dono de imensas reservas estratégicas (água, alimentos, minérios, biodiversidade), é um alvo natural. Sem o guarda-chuva de nenhuma potência, a alternativa estratégica para garantir a soberania sobre o que é nosso pode, sim, passar por esse trágico e caríssimo bilhete de entrada para o seleto clube da ‘imponibilidade’
A diplomacia está falindo. A linguagem agora é a da força bruta.
Enquanto o imperialismo agride, países como o Brasil, China e Rússia, respondem com palavras, as vezes até suaves.
EUA e Israel não respeitam o direito internacional e o primada da soberania e autodeterminação dos povos.
O que faz a ONU? Ou, mais adequado: o que pode fazer a ONU?
A Alemanha nazista quando começou o caminho de invasão e anexação, Hitler era tratado como um sem noção, os países duvidaram se ela teria condições de continuar no teatro de guerra, foi necessário muito estrago e o sacrifício da União Soviética para vencê-la.
A Alemanha foi derrotada, porém, o nazismo não foi. Sua ideologia foi incorporada pelos países imperialistas e colonialistas, notadamente EUA e Israel. Há células nazistas espalhadas pelo mundo e há dirigentes que professam as mesmas loucuras megalômanas de Hitler.
A prova cabal de que o nazismo não foi derrotado, apenas transmutado, está na naturalização do ‘estado de exceção’. Hitler o usou para suspender direitos na Alemanha. Hoje, vemos isso nas leis draconianas em Israel contra os palestinos, na militarização da fronteira sul dos EUA, e no tratamento dado a refugiados. A ideologia da pureza (racial, cultural ou ideológica) e do espaço vital (Lebensraum) agora se veste com a roupagem da ‘segurança nacional’ e da ‘guerra ao terror’. O inimigo mudou de nome, mas a lógica de aniquilação do outro é a mesma.
Heil Hitler (“Salve Hitler”), Heil Trump, Heil Netanyah, são as encarnações ideológicas do Hitler.
Os EUA querem mudar regimes de países que não aceitam a subordinação, e se aproveitam das divisões internas, que existem em qualquer país, inclusive no Brasil e no próprio Estados Unidos da América do Norte, para semear a discórdia.
Israel desde a sua criação trilhou a beligerância para a expansão territorial, sob a complacência ou apoio do seu benfeitor.
A ONU que criou o estado de Israel, carrega a sua máxima culpa.
Não há intenção boa dessas ideologias expansionistas, visam as riquezas e a dominação sobre os demais.
Ambos estão preparados para a terceira guerra, mesmo que seja catastrófica para a humanidade.
Trump e Netanyah são pessoas dotadas de incessibilidade, zero empatia, são rigorosamente sociopatas. E estão entrelaçados, um depende do outro, por isso Israel sabota negociações táticas do Império.
As oposições internas nesses países são tratadas de forma draconiana.
Imagino a falta que faz franco atiradores para dar a esses delinquentes internacionais uma passagem para voltarem de onde vieram: o inferno.
Em situações excepcionais, renuncio a meu princípio de que os fins não justificam os meios.
Trump tem a crença de que sem a guerra não sobrevirá ao mundo multipolar.
Parece que desta vez a estratégia do Irã é atingir todo o território de Israel, fazendo com que toda a população sinta a tragédia deste conflito armado. E a dos agressores é de assassinar os líderes iranianos.
Pode vir a ser uma vitória de Pirro?
Pode. O que conseguiu Trump? Mais apoio interno a sua política belicista? Não. Mostrou que Israel dá as cartas? Sim. Isolamento da comunidade internacional? Sim. Azeitou a corrida armamentista? Sim. Vai aumentar a inflação? É bem provável. Trouxe melhoria na vida dos estadunidenses? Não. Alterou o regime do Irã? Não.
Em 1968 lutamos muito pelo fim da guerra do Vietnã, por um mundo de paz, pela derrocada do imperialismo, estamos em 2026 e novamente o inimigo principal da humanidade soltou suas últimas fúrias, antes de sua derrocada total e a vitória do multilateralismo da convivência pacífica.
Encerro este texto um tanto quanto raivoso indagando: cadê os BRICS?
A pergunta ecoa porque a resposta é desanimadora. O bloco ainda age como uma associação de interesses comerciais timoratos, um clube de debates que evita confrontar diretamente a agressividade do Ocidente coletivo. Falta aos BRICS a coragem de transformar seu peso econômico (quase metade da humanidade) em poder político efetivo. Enquanto seus membros (como China e Índia) equilibram-se em suas próprias e complexas relações com o Império, o bloco falha em criar mecanismos reais de defesa mútua, uma alternativa financeira robusta e consolidada (já que o discurso sobre a desdolarização ainda engatinha) e, principalmente, uma voz uníssona e ativa nos conflitos. O mundo multipolar que Trump teme não chegará enquanto os polos não se atraírem e se blindarem coletivamente
Francisco Celso Calmon em coautoria com Ligia Bacarin, professora de história, Doutora em Educação e especialista em Neuropsicopedagogia

Analista de TI, administrador, advogado; militante histórico e combatente à ditadura militar.
Sua luta começou cedo, como líder no movimento estudantil da UESES no ES e da AMES no Rio.
Foi dirigente regional da AP e organizador e coordenador do NML (Núcleo Marxista-leninista) – dissidência da AP; foi do comando regional do Colina (Comando de libertação nacional) e foi um dos fundadores da VAR Palmares.
Após a redemocratização, foi um dos organizadores da APPD – Associação de Profissionais de Processamento de Dados; um dos fundantes e coordenadores da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; é coordenador do Canal Pororoca.
Autor das obras: “Sequestro Moral, e o PT com isso?”, “Combates pela Democracia”, editor e autor da obra “60 anos do golpe: gerações em luta”, “Combates pela Democracia”, e “Memórias e fantasias de um combatente”, coautor das obras coletivas: “Resistência ao golpe de 2016”; e “O processo Lula, uma sentença anunciada”.
No campo profissional foi técnico de TI e diretor de empresas públicas, estatais e privadas.




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