Poesis nascitur ubi mundus finit.

A poesia nasce onde o mundo termina.

Affonso Abreu

Minha poesia busca o ser dos meus mistérios,
como quem desce ao poço para colher certezas;
carrega na boca a incerteza de silêncios antigos
e nos olhos a esperança do que ainda não nasceu.

Caminha solta por corredores sem nome,
onde a sombra guarda os retratos da alma;
toca o invisível com seus dedos gentis
e chama de verso o que arde sem corpo.

Às vezes é noite, profunda e literal,
onde a palavra reza total e sagrada;
mas no escuro pulsa um sol oculto,
esperando um sopro que o desperte.

Então a luz nasce onde o mundo termina,
e o poeta sente fundo o que escreve;
mistério e chama tornam-se o mesmo sangue,
e o seu mundo respira dentro do novo poema.


Affonso Milcíades Alves de Abreu

Advogado militante por 40 anos, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Rio de Janeiro, especialista em Psicologia Analítica Junguiana, analista em formação pelo CEJAA – Centro de Estudos Junguianos Analistas Associados.




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