Prisão não é sala de reunião para conspirar contra o Brasil

Francisco Celso Calmon

Embora tenha dado um vacilo, o Ministro Moraes se recuperou no outro dia.

Visitas têm dia certo e é para a família e advogados. Cárcere não é ambiente social e menos ainda político.

Foi muita petulância, soberba, do representante da extrema-direita dos EUA querer visitar um criminoso, terrorista e golpista do Estado democrático de direito. O governo Trump fala uma coisa e faz outra.

Os terroristas que temos no Brasil são os que atentaram, no dia 8 de janeiro de 2023, contra a democracia brasileira.

Solicitou essa visita para quê? Nem é amigo do preso. É muita cara dura ou acha que o Brasil é republiqueta, quintal deles? Aqui golpistas são condenados, lá ficam livres, afrontam a Justiça, saem candidatos e são eleitos.

E o encarcerado é criminoso e foi julgado e condenado por plano de atentado violento ao Estado de direito. Se lhe foi tirado A LIBERDADO POR esta causa precípua, como aceitar que o mesmo preso tenha liberdade para conspirar?

A democracia não pode dar liberdade a quem conspira e planeja golpes contra ela mesma. Colaborar com potência estrangeira contra os interesse e a nossa soberania, seria um paradoxo jurídico! Seria um suicídio da democracia.

Nenhuma instituição brasileira pode pisar em ovos para impedir aos EUA de intervirem sob qualquer forma no nosso amado país.

O criminoso está com pneumonia dupla, informou o médico; seus áulicos provavelmente estão tranquilos, porque sabem que ele tem histórico de atleta, nós outros nos preocupamos, pois o queremos vivo para cumprir os 27 anos e 3 meses da pena sentenciada pelo Supremo Tribunal Federal.

Esses milicos da linha dura do Exército, jamais tiveram condescendência com os prisioneiros políticos e presos comuns sob suas custódias. E agora veem demonstrando frouxidão e apelam aos direitos humanos que tanto tripudiaram, afinal, para eles “bandido bom é banido morto”, não desejamos a morte de Bolsonaro.

Bolsonaro e seu filho Flávio e demais seguidos ficam armando para engabelar a justiça e manterem-se na mídia.

“A chance de Flávio ser eleito e tentar o golpe, existe, a chance de Lula ser eleito e tentar um golpe, não existe”.  Esta declaração foi feita por quem entende de golpes: Merval Pereira, ideólogo da Globo.

A Papudinha é uma prisão humanizada, bem superior às moradias da maioria do povo trabalhador, equivale a um apartamento de hotel 4 estrelas, sem exagero, porém, transformar num aposento político de conspiração, aí já é cumplicidade. 

Humanizada, sim, desmoralizada, não.

Francisco Celso Calmon

Analista de TI, administrador, advogado; militante histórico e combatente à ditadura militar.
Sua luta começou cedo, como líder no movimento estudantil da UESES no ES e da AMES no Rio.
Foi dirigente regional da AP e organizador e coordenador do NML (Núcleo Marxista-leninista) – dissidência da AP; foi do comando regional do Colina (Comando de libertação nacional) e foi um dos fundadores da VAR Palmares.
Após a redemocratização, foi um dos organizadores da APPD – Associação de Profissionais de Processamento de Dados; um dos fundantes e coordenadores da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; é coordenador do Canal Pororoca.
Autor das obras: “Sequestro Moral, e o PT com isso?”, “Combates pela Democracia”, editor e autor da obra “60 anos do golpe: gerações em luta”, “Combates pela Democracia”, e “Memórias e fantasias de um combatente”, coautor das obras coletivas: “Resistência ao golpe de 2016”; e “O processo Lula, uma sentença anunciada”.
No campo profissional foi técnico de TI e diretor de empresas públicas, estatais e privadas.


Descubra mais sobre Geração 68

Inscreva-se agora mesmo para continuar lendo e receber atualizações.

Continue lendo