Lígia Bacarin
O Estreito de Hormuz está fechado há quase um mês. Desde 28 de fevereiro de 2026, forças iranianas declararam bloqueio e atacaram navios na região. O trânsito despencou de mais de 100 navios por dia para praticamente zero em questão de horas (S&P Global Platts, 2026). Por ali passavam 20 milhões de barris de petróleo por dia, cerca de 20% de todo o crude marítimo do planeta (International Energy Agency, 2026). O petróleo Brent[1] saltou de US$ 57 para US$ 119 o barril, ultrapassando US$ 126 em 23 de março (Bloomberg, 2026). Estes são os sintomas de uma convulsão que a maioria das análises apressadas insiste em chamar de “guerra regional”. Mas o que está em jogo é a própria arquitetura que sustenta a ordem global desde 1945.
Como propõe o analista George Friedman, em The Storm Before the Calm (2020), a história do sistema global pode ser compreendida através da sucessão de eras delimitadas por crises estruturais. Aplicando esse método ao momento atual, identificam-se cinco eras: a unipolaridade, o petrodólar, as instituições do pós-guerra, a coesão interna dos EUA e 500 anos de dominância ocidental, as quais enfrentam uma ruptura simultânea. Para compreender esse momento, é preciso adotar uma análise estrutural e de conjuntura, aquela que revela como o capital realmente se move. Se Marx já afirmava, no Manifesto Comunista, que os trabalhadores não têm pátria sob o capitalismo, a experiência histórica acrescentou um corolário: o capital não tem pátria, e o partido do patrimônio é o lucro.
Para entender como essa lógica se materializou na ordem global, é preciso voltar ao momento em que o capital encontrou sua expressão geopolítica mais duradoura. Não por meio de um tratado público, mas por um pacto secreto firmado em 1945, a bordo de um navio de guerra americano ancorado no Canal de Suez. Ali nasceu o pilar oculto da hegemonia americana.
Em 1945, Franklin Roosevelt cruzou o Canal de Suez para se encontrar secretamente com o rei saudita Abdulaziz a bordo do USS Quincy (U.S. Department of State, 1945; Eddy, 1954). O acordo que saiu dali é o pilar mais importante da hegemonia financeira americana, e quase ninguém fora do mercado institucional entende como funciona de verdade. Em troca de proteção militar permanente, os sauditas concordaram em negociar todo o petróleo exclusivamente em dólar americano. Isso criou demanda global artificial e permanente pela moeda americana: qualquer país que precisasse comprar energia era obrigado a acumular dólares primeiro. Os sauditas reinvestiam esses bilhões comprando títulos do Tesouro dos EUA, financiando sistematicamente os déficits de Washington sem pressão cambial.
Em 1980, a família Al Saud nacionalizou toda a operaçãode petróleo e criou a Saudi Aramco. Em 2024, seu lucro foi de US$ 106,2 bilhões, mais do que o faturamento anual do McDonald’s (US$ 25,9 bi) e da Coca-Cola (US$ 47,1 bi) combinados. A família controla 17% de todas as reservas provadas de petróleo do mundo, segundo dados oficiais da OPEC (OPEC, 2025). Esse arranjo sustentou o dólar como moeda de reserva por oito décadas. Mas o sistema está rachando. Em 2023, a Aramco vendeu petróleo à China precificado em yuan pela primeira vez na história (Reuters, 2023). A Arábia Saudita entrou no BRICS, o bloco liderado por China e Rússia (Governo da Arábia Saudita, 2024). A comissão bilateral de cooperação econômica criada em 1974 expirou em junho de 2024 sem ser renovada (U.S. Department of the Treasury, 2024).
Esse arranjo que sustentou o dólar por oito décadas revela uma verdade mais profunda: o capital não se prende a fronteiras, apenas a fluxos de acumulação. Agora, essa mesma lógica se reproduz no teatro de guerra do Golfo, não como exceção, mas como a regra mais explícita do sistema. O circuito que conecta o campo de batalha ao Congresso americano e de volta ao campo de batalha é a expressão mais acabada de como o capital se alimenta do conflito.
A Operação Epic Fury[2], na sua primeira semana, custou ao contribuinte americano US$ 11,3 bilhões — quase US$ 900 milhões por dia (Thévenin, 2026). O Pentágono já solicitou ao Congresso mais US$ 200 bilhões adicionais, segundo o Secretário de Defesa Pete Hegseth (World Journal, 2026). Mas este dinheiro não desaparece em explosões. Ele percorre um circuito fechado que conecta o campo de batalha ao Congresso e volta ao campo de batalha, revelando a verdadeira natureza do complexo industrial-militar.
Cada míssil disparado é um pedido de reposição automático. Os EUA lançaram 170 Tomahawks em 100 horas, três vezes o volume encomendado para o ano fiscal inteiro (U.S. Department of Defense, 2026). Um interceptador THAAD custa US$ 12,77 milhões; um Patriot, US$ 4 milhões (World Journal, 2026). O estoque se esvazia, e contratos emergenciais são assinados diretamente com as fabricantes, sem licitação, sem debate público. A assimetria é brutal: um drone iraniano Shahed custa entre US$ 20 mil e US$ 50 mil; um míssil Patriot para abatê-lo custa US$ 4 milhões, uma proporção de 115 para 1 segundo cálculos da Reuters (Reuters, 2026a). Quanto mais drones baratos o Irã dispara, mais mísseis caros os EUA são forçados a comprar, gerando uma demanda estrutural crescente por armamento de alto valor.
As consequências para o capital financeiro são imediatas. A Lockheed Martin subiu 40% no ano e atingiu recorde histórico a US$ 692 por ação no dia dos ataques (Invezz, 2026). Seu backlog de pedidos chegou a US$ 173 bilhões — dois anos de receita garantida (Lockheed Martin, 2026). A Northrop Grumman e a RTX (Raytheon) avançaram 25% e 8% respectivamente entre janeiro e fevereiro de 2026 (Moneycontrol, 2026). Para Wall Street, cada explosão se traduz em receita no próximo trimestre.
Essa receita, por sua vez, retroalimenta o sistema. O setor de defesa movimenta centenas de milhões anuais em lobby, com a Lockheed sozinha tendo gastado US$ 15,7 milhões em 2025 (OpenSecrets, 2026). O American Israel Public Affairs Committee (AIPAC), o maior comitê de ação política dos EUA, entrou no ciclo eleitoral de 2026 com US$ 96 milhões, somando mais de US$ 100 milhões com outros grupos pró-Israel (JNS.org, 2026). O lobby garante o orçamento; o orçamento garante os contratos; os contratos garantem os lucros que financiam o lobby. O ciclo está fechado. O orçamento de defesa de 2026 é de US$ 914 bilhões, e a proposta para 2027 já é de US$ 1,5 trilhão (The National Interest, 2026). A Lockheed quadruplicou a produção de THAAD de 96 para 400 unidades por ano (World Journal, 2026). A máquina não foi desenhada para parar. O contribuinte paga a conta, o acionista captura o valor. É a expressão mais crua de como o capital, desprovido de qualquer sentimento de pátria, se reproduz em tempos de guerra.
Como alertaram analistas da corretora Fearnley Securities e da BRS Group em março de 2026, a concentração histórica de 25% da frota spot de VLCCs sob controle de um único operador criou o primeiro ‘super-operador’ do segmento, conferindo pricing power[3] sem precedente em um mercado tradicionalmente fragmentado. Seguradoras de guerra cancelaram cobertura P&I para navios no Golfo Pérsico a partir de 5 de março (Gard, 2026). Sem seguro, operadores não transitam. A tonelagem disponível colapsa enquanto petroleiras desesperadas por crude na Ásia e Europa pagam qualquer preço que o armador pedir. O índice TD3C[4] para VLCCs, os superpetroleiros de 300 metros que carregam 2 milhões de barris por viagem, atingiu US$ 519.104,00 por dia em 3 de março (S&P Global Platts, 2026). O custo operacional de um VLCC é de aproximadamente US$ 25.000 por dia. O lucro líquido no pico: quase meio milhão de dólares por dia por navio. A frota global soma 888 VLCCs, com os 10 maiores operadores controlando cerca de 40% dela (Clarksons Research, 2026). A consolidação acelerou no momento exato da crise: a coreana Sinokor, com capital da MSC do bilionário italiano Gianluigi Aponte, acumulou controle de 25% da frota limpa global de VLCCs. A corretora BRS classificou o movimento como a criação do primeiro super-operador da história do segmento (BRS, 2026). Oligopólio estrutural em ambiente de crise de chokepoint gera pricing power sem precedente. O war premium não fica no mar. Armador cobra da petroleira, petroleira repassa à refinaria, refinaria ao posto.
Enquanto acionistas da Lockheed e armadores de VLCCs embolsam lucros históricos, a conta chega primeiro e com mais força para a classe trabalhadora dos países periféricos. O Sul Global é o elo mais frágil da cadeia energética: não tem reservas estratégicas de petróleo, não imprime a moeda de reserva, não decide os preços do frete. Importa crude em dólar e paga em moeda nacional desvalorizada pela fuga de capitais. Cada dólar de aumento no barril de petróleo é transferência direta de renda dos trabalhadores para os detentores de ativos energéticos e financeiros.
No Brasil, o preço da gasolina nas bombas segue a paridade de importação, indexada ao dólar e ao Brent. O salto de US$ 57 para US$ 126 por barril desde fevereiro significou, para um trabalhador que abastece o carro uma vez por semana, um aumento real de mais de 30% no orçamento com combustível, antes mesmo que o repasse integral do frete marítimo se complete (Agência Nacional do Petróleo, 2026). Para quem depende do transporte público, o efeito é duplicado: a tarifa sobe para cobrir o diesel, e a inflação dos alimentos (que dependem de frete rodoviário) corrói o poder de compra.
A cesta básica em países como Brasil, Egito, Indonésia e Nigéria já registrava alta acumulada de dois dígitos antes da guerra; agora, o choque energético promete elevar a inflação de alimentos em mais 4 a 6 pontos percentuais nos próximos meses (FAO, 2026; Banco Central do Brasil, 2026). Diferentemente dos Estados Unidos, onde o Federal Reserve pode financiar déficits e subsidiar parte do custo energético, os países do Sul Global enfrentam o dilema entre controlar a inflação com juros altos, que estrangulam a atividade econômica e ampliam o desemprego, ou aceitar a perda de renda real da população. Há ainda um efeito regressivo estrutural: os lucros extraordinários da indústria de armas e do frete marítimo são apropriados majoritariamente por capitais sediados nos países centrais. As perdas, porém, são socializadas globalmente via inflação.
A análise marxista contemporânea tem recuperado a noção de que a guerra funciona como mecanismo de transferência de valor e superação das crises de superacumulação. Como observa Stallings (2023, p. 100), “a violência estrutural do sistema capitalista se manifesta na capacidade de os capitais centrais socializarem perdas via inflação enquanto concentram lucros extraordinários”; um fenômeno que Boudin (1907, p. 237-238), já no início do século XX, identificava como a lógica imperialista de “desovar” capitais excedentes a qualquer custo. A classe trabalhadora do Sul Global paga, na bomba de combustível e no supermercado, os dividendos dos acionistas da Lockheed e os lucros da Sinokor. É a mais pura expressão de como a acumulação de capital em tempos de crise não tem pátria, mas tem classe.
A arquitetura do conflito, no entanto, também mudou. O Irã está acertando radares, sistemas de comunicação e navios americanos no Golfo Pérsico com precisão que não existia oito meses atrás. A mudança não é operacional. É arquitetural. E a tecnologia por trás não é iraniana. Em março de 2026, The Washington Post, NBC News, CNN e The Wall Street Journal confirmaram com fontes independentes de inteligência ocidental: a Rússia transfere imagens de satélite das Forças Aeroespaciais (VKS) em tempo real para Teerã (The Washington Post, 2026). Localizações exatas de tropas, navios de guerra, aeronaves e infraestrutura de defesa americana, alvos que não aparecem em mapas públicos, estão sendo atingidos com precisão guiada. Satélite é só metade da cadeia. Moscou transfere doutrina de guerra de drones desenvolvida em quatro anos de combate na Ucrânia: coordenação de ondas de ataque, altitudes de penetração e técnicas de saturação de defesas como THAAD e Patriot (CNN, 2026).
Componentes russos foram integrados diretamente nos drones Shahed iranianos para aprimorar navegação e capacidade de mira (NBC News, 2026). A China fecha a arquitetura de precisão. O BeiDou-3 substituiu o GPS americano na orientação dos mísseis iranianos. Precisão centimétrica, imune a jamming ocidental (The Wall Street Journal, 2026). O radar YLC-8B, entregue em voos militares secretos em janeiro de 2026, detecta caças stealth como o F-35 a mais de 200 km de distância (Reuters, 2026b). O resultado é uma kill chain integrada entre três potências: Rússia fornece imagens de satélite; China fornece navegação, detecção e componentes eletrônicos via CETC; Irã executa a operação cinética. Três países, uma cadeia de precisão. O impacto no patrimônio é mensurável. Hormuz movimenta 20% do petróleo global. Prêmios de seguro marítimo subiram até 300% (Lloyd’s List, 2026). O frete de superpetroleiros VLCC bateu recorde de US$ 423 mil por dia (S&P Global Platts, 2026). Seguradoras como Gard e Skuld cancelaram cobertura de risco de guerra para o Golfo inteiro (Gard, 2026; Skuld, 2026). 89% do crude que passa por Hormuz vai para mercados asiáticos (International Energy Agency, 2026).
Esse novo arranjo de poder opera sobre as ruínas do sistema que vigorou desde 1945. A unipolaridade inaugurada em 1991 racha quando um país sobrevive a um ataque coordenado de EUA e Israel. A era do petrodólar, baseada na segurança americana à Arábia Saudita, perde o sentido quando mísseis iranianos atingem território saudita e a proteção falha. As instituições do pós-guerra: OTAN, ONU, FMI, veem sua autoridade evaporar: Trump convocou aliados para reabrir Hormuz, eles recusaram, e o próprio líder da ordem a chamou de “tigre de papel” (The New York Times, 2026). A união americana, última cola social, se dissolve em polarização nunca registrada: 80% dos americanos dizem que os partidos não concordam nem sobre fatos básicos (Pew Research Center, 2025). E, finalmente, 500 anos de dominância ocidental, iniciados em 1492, são desafiados pela simples sobrevivência do Irã, que não precisa vencer, apenas provar que o sistema é falível. O dólar já perdeu terreno concreto: de 72% das reservas globais em 2001 para 57% em 2025 (IMF, 2026). A China importa 11,1 milhões de barris de petróleo por dia, com a Rússia como maior fornecedora, e nenhum dos dois usa dólar para essa transação (International Energy Agency, 2026; Bloomberg, 2026).
O padrão imperial é sempre o mesmo: moeda de reserva como muleta, dívida fácil, overreach militar e a ilusão de que reputação substitui fundamentos (Kennedy, 1987). O Império Britânico não caiu numa grande batalha, mas sim quando seu credor chamou o blefe. Em 1956, na Crise de Suez, a Grã-Bretanha vencia militarmente, mas Eisenhower deu um ultimato: recue ou eu despejo libras no mercado. Em 11 dias, o império se rendeu, não ao Egito, mas ao seu credor (Kynaston, 2017).
Os sinais estavam lá muito antes: em 1931, especuladores atacaram a libra; após a guerra, a dívida britânica ultrapassava 100% do PIB. O império sobrevivia com empréstimos americanos, mas continuou gastando e agindo como superpotência quando a realidade econômica já não sustentava a narrativa. Os EUA de hoje repetem o roteiro. A dívida nacional ultrapassou US$ 39 trilhões em 17 de março de 2026 (U.S. Department of the Treasury, 2026). O governo paga US$ 1 trilhão por ano apenas em juros, mais que todo o orçamento de defesa, e o Congressional Budget Office projeta que esses juros chegarão a US$ 1,8 trilhão anuais até 2035 (CBO, 2026). Em 2020, eram US$ 345 bilhões; quase triplicaram em cinco anos (U.S. Department of the Treasury, 2026).
Diante desse colapso de cinco eras e da reconfiguração forçada da ordem global, a análise estrutural aponta para uma única conclusão prática. A mesma lógica que torna o Irã resiliente: a descentralização, a ausência de um ponto único de falha, deve guiar a estruturação do patrimônio. O mundo ainda mede força pelo orçamento de defesa e pelo número de porta-aviões, mas o conflito no Golfo mostra uma guerra entre o centralizado e o descentralizado. Exércitos convencionais são pirâmides: elimine o topo, o sistema colapsa. O Irã construiu o oposto: proxies autônomos, células independentes, sem ponto único de falha (Center for Strategic and International Studies, 2026). Destrua o comando central, e as unidades locais continuam operando.
O capital não tem pátria, e o partido do patrimônio é o lucro. Este não é um slogan, mas a síntese de uma análise materialista: o capital busca as melhores taxas de retorno, as jurisdições mais seguras e as estruturas mais resilientes, independentemente de lealdades nacionais ou filiações políticas. Sob o capitalismo, a única lealdade que o capital reconhece é a sua própria reprodução ampliada.
A próxima transição monetária já começou. Diversificação geográfica não é sofisticação; é gestão de risco básica num mundo que está, rapidamente, mudando de eixo. Mas há um perigo maior que a simples perda patrimonial: quando uma potência hegemônica sente seu domínio escapar, sua reação não é o recolhimento, mas a recolonização disfarçada. Os EUA já ensaiam esse movimento. O fortalecimento do Comando Sul, a militarização da Amazônia sob o pretexto de “segurança climática”, a pressão por acordos de livre comércio que subordinam cadeias produtivas inteiras, a tentativa de impor uma “moeda digital do Sul” controlada por Wall Street, tudo isso compõe o kit de ferramentas da neocolonização do século XXI.
A lição da história é cruel: a Grã-Bretanha, ao perder a hegemonia, não libertou suas colônias por generosidade; transferiu o controle por outros meios, quando não os abandonou à guerra civil e à dívida perpétua. Os EUA, diante da implosão de cinco eras simultâneas, não aceitarão passivamente um mundo multipolar. Tentarão impor, pela força ou pela dívida, uma nova camada de subordinação.
A mesma lição que o império britânico aprendeu em Suez, tarde demais para mudar de estratégia; está agora sendo reescrita no Estreito de Hormuz. O momento de se posicionar não é quando o teste chegar, mas antes, entendendo que, na lógica do capital, sobreviver à tempestade é mais importante do que tentar controlá-la. E para os países do Sul Global, sobreviver significa também resistir à tentativa de recolonização que virá sob a bandeira da “estabilidade” e da “segurança”.
REFERÊNCIAS
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Notas:
- As referências com ano de publicação 2026 correspondem a documentos e reportagens publicados até março de 2026. Para os documentos de 2025 e anos anteriores, foram mantidas as datas originais. Os links de acesso foram verificados na data de elaboração do texto. Caso algum documento não esteja disponível online, a referência foi mantida como impressa ou arquivada.
- Para os dados referentes à participação do dólar nas reservas globais (FMI COFER), à produção da Saudi Aramco, ao controle de reservas petrolíferas pela família Al Saud e às estatísticas de tráfego no Estreito de Hormuz, foram utilizados os relatórios anuais das respectivas instituições (FMI, OPEC, Aramco, IEA) com dados referentes aos anos de 2024, 2025 e 2026, conforme disponível nas publicações oficiais de cada entidade. As datas de acesso aos conteúdos digitais correspondem ao período de elaboração do texto (24 de março de 2026).
[1] O petróleo Brent é um dos principais benchmarks globais para precificação do petróleo. Trata-se de uma cesta de petróleos extraídos no Mar do Norte (campos Brent, Forties, Oseberg e Ekofisk), classificados como leves e doces (baixa densidade e baixo teor de enxofre), o que os torna mais fáceis e rentáveis de refinar. O Brent é referência para cerca de dois terços do petróleo físico negociado no mundo, incluindo Europa, África e Ásia, e seu preço influencia diretamente os combustíveis em países como o Brasil. Diferencia-se do WTI (referência americana) por refletir melhor a dinâmica do mercado internacional, por ser transportado por via marítima.
[2] A Operação Epic Fury foi uma ofensiva militar conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro de 2026, sob coordenação do presidente Donald Trump e do Comando Central dos EUA (CENTCOM). Seus objetivos declarados incluíam destruir a capacidade de mísseis balísticos do Irã, aniquilar sua marinha, desmantelar infraestruturas da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e impedir o desenvolvimento de armas nucleares iranianas. Os ataques, realizados com munições de precisão lançadas do ar, terra e mar, incluindo o uso pioneiro de drones kamikaze de baixo custo pela Força-Tarefa Scorpion Strike, atingiram Teerã, Isfahan, Qom e a Ilha de Kharg (responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã), resultando na destruição do complexo do Líder Supremo Ali Khamenei e na morte de altos comandantes iranianos. Até meados de março, mais de 7.800 ataques foram realizados, com saldo estimado de mais de 2.000 mortos entre civis e militares, incluindo 168 crianças em um bombardeio a uma escola em Minab. O conflito provocou retaliações iranianas, fechamento do Estreito de Ormuz, alta global no preço do petróleo e foi descrito como a maior mobilização militar dos EUA na região desde a invasão do Iraque em 2003.
[3] Pricing power (poder de precificação) é a capacidade de um vendedor ou de um grupo concentrado de vendedores de elevar preços sem perder demanda, porque os compradores não dispõem de alternativas viáveis. No setor de VLCCs, a consolidação de 25% da frota spot sob controle de um único grupo (Sinokor/MSC), aliada à redução drástica da oferta de navios provocada pelo fechamento de Hormuz, criou pela primeira vez um “super‑operador” com capacidade de influenciar toda a curva de fretes – fenômeno apontado por analistas da Fearnley Securities e da corretora BRS como inédito no segmento (Fearnley Securities, 2026; BRS, 2026)
[4] TD3C é a rota que vai do Golfo Pérsico ao Extremo Oriente.
Lígia Bacarin

Professora de História da rede pública e Doutora em Educação. Especialista em Neuropsicopedagogia, Terapia Cognitiva-Comportamental e ABA. Militante do PSOL-PR e colaboradora nas mídias sociais da Geração 68.




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