Saltare, dulce mysterium

Dançar, doce mistério

Affonso Abreu

Dançar é chama leve e acesa,
que arde forte, sem nunca ferir,
é riso solto na doce correnteza
de um corpo que quer florir.

Dançar é tocar o doce silencio
da alma sobre a pele em flor,
um gesto simples, mas denso,
que traduz em luz o amor.

No girar, a sombra aprende a ser luz viva,
no passo, o ser se encontra em harmonia,
e a alma, outrora ausente, enfim deriva
no mar sutil da própria poesia.

Assim, dançar é mais que mero intento:
é ser inteiro em êxtase e momento.


Affonso Milcíades Alves de Abreu

Advogado militante por 40 anos, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Rio de Janeiro, especialista em Psicologia Analítica Junguiana, analista em formação pelo CEJAA – Centro de Estudos Junguianos Analistas Associados.



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