MANIFESTO – 62 anos do golpe de 1964: memória, verdade e justiça.

Passados 62 anos do golpe civil-militar de 1964, nós, homens e mulheres que lutamos, resistimos e sobrevivemos àquele período de horror, reafirmamos a importância permanente de rememorar esse período sombrio da história brasileira, para que nunca mais se repita. Do mesmo modo, é imprescindível recordar a tentativa de ruptura democrática ocorrida em 8 de janeiro de 2023, como alerta para que investidas autoritárias não voltem a ameaçar o Estado Democrático de Direito.

No marco dos 60 anos do golpe, organizamos coletivamente a obra “60 anos do golpe: gerações em luta”, reunindo 60 autores de diferentes gerações que resistiram à ditadura ao longo de seus 21 anos. Em um esforço intenso e colaborativo, o livro foi escrito, editado e lançado em poucos meses, alcançando ampla circulação nacional, chegando a instituições públicas, universidades, bibliotecas e autoridades, no Brasil e no exterior.

Esse feito coletivo, construído em um ambiente democrático, é motivo de orgulho. No entanto, ele também reforça nossa responsabilidade histórica. Dois anos depois, seguimos comprometidos com a preservação da memória e com a luta por verdade e justiça — dimensões ainda inconclusas no país.

Apesar de avanços, observamos retrocessos preocupantes. A Comissão de Anistia tem adotado práticas que desrespeitam os marcos legais e constitucionais, ao padronizar indenizações em valores significativamente inferiores aos previstos em lei. Ao mesmo tempo, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos segue sem acesso às informações necessárias, diante da ausência de colaboração por parte do Ministério da Defesa.

Reafirmamos que nossa força não reside em representação institucional, mas em nossa credibilidade histórica, construída na luta e na memória — em respeito aos que resistiram, aos que tombaram e às gerações atingidas pelos efeitos da ditadura.

Diante de um cenário nacional e internacional de riscos à democracia, torna-se ainda mais urgente nosso posicionamento público. O golpe de 1964 e os 21 anos de ditadura não podem ser considerados capítulos encerrados enquanto não houver plena abertura dos arquivos, esclarecimento dos fatos e o reconhecimento das responsabilidades históricas, inclusive com um pedido formal de desculpas à sociedade brasileira.   

Seguiremos mobilizados, em diferentes espaços e iniciativas, reafirmando nosso compromisso com a democracia, a memória, a verdade e a justiça.

Assinam:

Francisco Celso Calmon – militante histórico, participou da Ação Popular do Núcleo Marxista Leninista, do Colina, VAR-Palmares, organizador do livro 60 anos do golpe: gerações em luta, ES.

Denise Carvalho Tatim – Dra. Em Psicologia, professora universitária, RS.

Laurenice (Nonô) Noleto Alves – jornalista e escritora, viúva de ex-preso político, Goiânia-GO.

Nivia Raposo – Movimento de mães e familiares de vítimas da violência letal do Estado e desaparecidos forçados, Baixada fluminense – RJ.

Maria Paula Nascimento Araujo – professora titular de História Contemporânea da UFRJ.

Marco Aurélio de Passos Rodrigues – Professor na Prefeitura Municipal de Santo André, SP.

Shellah Avellar – jornalista. Integra o Coletivo Filhos & Netos por Memória Justiça e Verdade.

Kauê Vinícius de Araújo Silva – professor da rede municipal de São Paulo.

Ivete caribé da Rocha – advogada e coordenadora do Comitê estadual da memória verdade e justiça do Paraná.

João Ricardo Dornelles – Professor do Departamento de Direito da PUC-Rio; membro do Coletivo Fernando Santa Cruz.

Sandra Mayrink Veiga – Coletivo Fernando Santa Cruz, ex dirigente da Ação Popular (APML); escritora, fundadora do Canal Pororoca.

Renata Costa-Moura – Professora da Universidade Federal Fluminense, membra co-fundadora da Rede de Atenção a Pessoas Afetadas por violência de Estado – RAAVE/ Ministério da Justiça – Brasil

Fernando Antonio de Moraes Achiamé – poeta e historiador – Vitória, ES.

Ceila Maria Ferreira Batista – Professora de Crítica Textual da UFF e Escritora.

Paulo Coutinho -ES

Vera Lucia Vieira – Profa Dra PucSP. Coordenadora do ovp-dh.org e do Cehal/PUCSP.

Astor Antônio Diehl – RS

Javier Lifschitz – professor UNIRIO

Orlando Guilhon – Coletivo Fernando Santa Cruz RJ.

Antônio Pinheiro Salles – advogado, escritor e jornalista – Goiânia -GO.

Priscila Costa Patrício – PT – ES

Claudio Fonteles

Clair da Flora Martins – Advogada, ex-deputada federal do PR, militante política.

Yara Maria Moreira de Faria Hornke – Coletivo Memória Verdade e justiça Derlei de Lucca SC, anistiada política, psicóloga aposentada TJ SP.

Claudio Antonio Ribeiro – Ex-dirigente sindical, Advogado de trabalhadores.

Simone Nacif – juíza de direito do TJRJ e membra da AJD e da ABJD.

José Luiz Saavedra Baeta – Comitê Popular de Santos memória verdade e justiça

Carlos Eduardo Pestana Magalhães – Jornalista, sociólogo, membro da Comissão Justiça e Paz SP, Grupo Tortura Nunca Mais SP e do G68.

Cristina Moura – ES

Gaspar Paz – Professor da Ufes

Paulo C. Nogueira da Gama – Constitucionalista, membro da ABJD e da AJD.

Cristina Capistrano – educadora, filha de David Capistrano da Costa, desaparecido.

Fabiane Lopes de Oliveira, Profa Dra em Educação e Coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da UFG em 1974.

Ana Vilarino – ativista pela autodeterminação e solidariedade aos povos

André Calmon Ferreira da Silva – Economista RJ

Eugênio Aragão – Advogado, membro da IAB, ex-ministro da Justiça.

Gisele Araujo – Professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Alexandre Santos – Engenheiro e escritor PE 

Marina Nunes Moreira – Estudante de Psicologia ES

João Alexandre Wyatt – Advogado – ES

Ligia Leão de Aquino. Professora da UERJ e membro do Grupo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça.

Jorge Ricardo Santos Gonçalves – Ex-preso político da ditadura militar e Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Ivanisa Teitelroit Martins, militante do MR8 na clandestinidade, atuou nos movimentos sindicais e de mulheres, implantou os principais programas sociais no Brasil como gestora federal, psicanalista desde os anos 70.

Lígia Bacarin – Coordenação política do Fortalecer PSOL Paraná

Cesar Antônio Alves Cordaro – Procurador do Município de São Paulo (Aposentado)

Marcela Moreira – Socióloga, Professora e dirigente PSOL Campinas

Rui Falcão, ex-preso político, militante da VAR-Palmares, deputado federal (PT-SP).

Arquimedes Diógenes Ciloni – ex-reitor da UFU.

Paulo César Carbonari – filósofo, militante de direitos humanos, RS

Aluizio Palmar

Fabiano Stoiev – Professor da rede pública de ensino Paraná

Maria José Silva Penny – advogada, militante do Fortalecer o PSOL, Porto Alegre/RS

Robson (Rock) – Coordenador Geral- Unidade classista

Valério Paraná Junior – ex-preso político, Engenheiro Aeronáutico e Advogado especialista em Direitos Humanos.

Tânia Mandarino – cofundadora do Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD)

Fabrício Rosa – policial rodoviário federal, vereador PT-Goiânia.

Shozo Shiraiwa – prof. aposentado da UFMT

Maria Salete Magnoni – AVICO/Brasil (Associação de Vítimas e familiares de Vítimas da Covid 19).

Lea Oksenberg – Jornalista

Maria do Nascimento Hanc – militante desde 1978, integrante de movimentos eclesiais, MR8, sindicalista, filiada ao PT, atuação em movimentos sociais, membra do Comitê Popular de Luta Mulheres – RS

Áton Fon Filho – ex-militante da ALN (Ação Libertadora Nacional), advogado, integrante da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.

Tadeu Veneri – dep. federal PT -PR, vice-presidente CDHMIR CAM FED.

Adelar Aguiar – presidente PT Passo Fundo RS.

Hamilton Faria – poeta

Robério Paulino – Prof. da UFRN no Instituto de Políticas Públicas. Pré-candidato ao governo do RN pelo PSOL.


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