Francisco Celso Calmon
Ela chegou como símbolo de renovação: jovem, vinda da periferia, formada fora do país, defensora da educação e da “boa política”. Uma narrativa perfeita para um Brasil que insiste em acreditar que basta alguns ajustes no discurso, para mascarar algumas estruturas.
Do voto favorável à Reforma da Previdência à aproximação com agendas liberais, consolidou-se uma atuação que pouco dialoga com os interesses populares, ainda que embalada em linguagem técnica e bem articulada. A promessa de ruptura foi substituída por uma adaptação confortável às regras do jogo.
O estelionato eleitoral foi instalado com sucesso.
Ao apresentar um projeto que, sob o argumento de combater o antissemitismo, abre caminho para enquadrar críticas ao Estado de Israel como discurso punível, a deputada atravessa uma linha perigosa. Críticos apontam que esse tipo de formulação pode ser utilizado para restringir o debate público e silenciar posicionamentos políticos legítimos, especialmente quando de denúncias internacionais sobre a atuação israelense.
Não se trata de combater o ódio, algo já previsto da legislação brasileira, mas de definir quais críticas são aceitáveis e quais devem ser contidas. E isso, em qualquer democracia, tem nome: controle de discurso ou censura seletiva.
Em uma democracia oriunda de uma ditadura é preciso examinar com lupa quaisquer ideias ou projetos que visam impor filtros dessa natureza.
O que se revela, então, não é apenas uma contradição individual, mas um padrão: a política de “renovação” que, ao chegar no poder, reproduz os mesmos limites, os mesmos alinhamentos e as mesmas concessões.
Uma loba que se vendeu como cordeiro para atrair e apunhalar àqueles que acreditaram no tom da sua voz.
Simpatia e beleza não são certidões da boa política.
Atrás de muitas belezas há projetos ordinários, notadamente quando a formação se dá nos EUA com patrocínio das fundações que têm por propósito formar para controlar.
Francisco Celso Calmon

Analista de TI, administrador, advogado; militante histórico e combatente à ditadura militar.
Sua luta começou cedo, como líder no movimento estudantil da UESES no ES e da AMES no Rio.
Foi dirigente regional da AP e organizador e coordenador do NML (Núcleo Marxista-leninista) – dissidência da AP; foi do comando regional do Colina (Comando de libertação nacional) e foi um dos fundadores da VAR Palmares.
Após a redemocratização, foi um dos organizadores da APPD – Associação de Profissionais de Processamento de Dados; um dos fundantes e coordenadores da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; é coordenador do Canal Pororoca.
Autor das obras: “Sequestro Moral, e o PT com isso?”, “Combates pela Democracia”, editor e autor da obra “60 anos do golpe: gerações em luta”, “Combates pela Democracia”, e “Memórias e fantasias de um combatente”, coautor das obras coletivas: “Resistência ao golpe de 2016”; e “O processo Lula, uma sentença anunciada”.
No campo profissional foi técnico de TI e diretor de empresas públicas, estatais e privadas.




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