Carlos Eduardo Pestana Magalhães
É preciso entender que enquanto os militares dominarem a chamada “segurança pública” baseada na repressão, na tortura e nas execuções sumárias aos escravos de sempre, tendo impunidade assegurada pelo Estado, as chacinas continuarão em todo lugar neste país. Sem justiça e nem paz, só violência, crueldade e medo se espalhando…
São capitães do mato modernos, apenas isso. Pouco importa se o governo é da esquerda, progressista ou fascista, a repressão letal, violenta e cruel é a mesma. A Bahia, governada pelo PT há quase 20 anos, tem uma das PM (Prontos pra Matar) mais violenta, cruel e assassina do Brasil.
Não existe questão policial no país, visto não existir polícia estrito senso, mas existe questão militar que a esquerda finge não existir, que foge deste debate que nem o diabo da cruz e assim LA NAVE VÁ…
A Brigada Militar (Bons pra Matar) do Reich Grande do Sul é a única corporação dita policial que assumiu integralmente o seu caráter militar repressivo até no nome. Militar não prende, apenas mata, essa é a lógica dos milicos, combater com uso intensivo das armas quem o Estado define como inimigo interno a ser eliminado…
No caso brasileiro, historicamente, a classe trabalhadora ou os escravos de sempre, são os inimigos internos que o Estado quer que sejam extirpados, controlados, manietados, que fiquem quietos nas senzalas modernas (favelas, periferias, comunidades), fazendo apenas o que a classe dominante quer: trabalho braçal e baixos salários.
Se não aceitar, morre e são substituídos rapidamente, afinal são apenas coisas. A polícia de verdade é o braço legal do Judiciário e sua função primordial é investigar crimes e prender suspeitos para a justiça julgar. Ela não mata, ela prende. Por isso a existência de fiscalização da sociedade civil sobre a polícia e seu funcionamento.
No caso militar, isso não existe, visto que militar só responde a corporação militar e não a sociedade, por isso tem tribunal e regras próprias. Nos outros países minimamente democráticos, os tribunais militares só respondem a questões estritamente militares e sua função só se expande quando existe um estado de guerra.
Mas, no Brasil desde os tempos da colônia, onde as forças armadas tem uma estrutura e uma hierarquia de tipo colonial, estamentária, cuja função principal é ser reconhecido como quarto poder “republicano”, coisa inexistente numa república, sua atuação real e concreta é ser um partido político, sempre a espreita para dar golpes de estado.
Junto disso, tem a função de defender o Capital, o OGROnegócio, os bancos, a farialima, a grande imprensa, milícias/PCC/CV, defendem os interesses dos americanos, fazem qualquer coisa por dinheiro e poder. Caso haja uma invasão dos EUA, não haverá reação alguma de defesa por parte das forças armadas.
Elas fazem parte da estrutura militar americana, recebem equipamentos e armamentos, a maioria de segunda mão, para fazerem o papel de “polícia” dentro do país e, sendo necessário, no continente sul americano. Fazem parte das forças armadas ianque…
Os milicos brasileiros são entreguistas, corruptos, mercenários, a corporação militar é mais importante que o país, que a constituição, que o estado de direito, representam uma casta à parte, não se misturam com a sociedade, até porque tudo que precisam para uma vida com qualidade, tudo aquilo que falta à população, a casta militar tem de graça. Qualquer outra coisa é conversa pra boi dormir…
Carlos Eduardo Pestana Magalhães

Jornalista, sociólogo, membro da Comissão Justiça paz de São Paulo, do Grupo Tortura Nunca Mais e da Geração 68 Sempre na Luta.



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