abraço meus escombros
tábuas de salvação
do que resta
ei, você!
estamos sós, percebe?
infinitamente sós
em meio a estas febres
coloridas
a olhos que olham longe
e nada veem
sandálias feridas de tanto caminhar no interior dos canos
em meio a estes meninos que cheiram as flores do mal
em meio ao tudo
que contém o nada
ei, você!
quanta humanidade havia
nas mãos dos homens de nosso tempo?
ajeito máscara de oxigênio
me abraço pela primeira e última vez
despeço-me de minha sombra
ei ,você!
-que me oferece o ombro:
agora é tarde
icei corda
desci o poço
as águas não me reconhecem
restou
o mergulho em mim.
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Angela Maria Zanirato Salomão É professora de História, Pós-Graduada pela UNESP de Assis e pela UEM, Maringá. Participou do Mapa Cultural Paulista versão 2015/ 2016, onde foi classificada para a fase final na modalidade conto. Participa da Associação de Escritores e Poetas de Paraguaçu Paulista- APEP. Tem poemas publicados em várias antologias. Foi publicada nos sites : Blocos Online , Parol , Movimiento Poetas del Mundo , Antologia do Mapa Cultural Paulista edição 2015/2016 ,versão e-book ,Revista de Ouro, Revista Ver- O- Poema , Revista InComunidade , Mallarmargens, Revista Digital Literatura e Fechadura, Revista Ruído Manifesto , Revista Ser MulherArte e na Revista Feminista Helenas. Foi curadora do projeto Doze contos insólitos do poeta Márcio Saraiva, em 2019. Em 2020 foi classificada em primeiro lugar no concurso de poesias da Editora Arribaçã. Está presente na Antologia As Mulheres Poetas na Literatura Brasileira lançada pela Editora Arribaçã em 2021. Foi selecionada pela editora Rizomas para publicar original de livro de poesia em 2022 e pela editora Helvetia um romance.






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