Quaedam aves libertatem canentes Affonso Abreu

Certos pássaros que cantam a liberdade

Quatro pássaros ardentes
cruzam o céu do Brasil:
Chico borda o silêncio,
Gil acende o tempo,
Caetano reinventa o vento,
Paulinho faz samba no mar.

Quatro pássaros inflamados
sobrevoam o azul do mar:
Canto da luz encantada,
voz da esperança sem pressa,
água de coco na areia quente e
o sal do mar restaura promessas.

Quatro pássaros veementes
beijam a terra sem temor:
O tempo dança em passos mansos,
descalço, no compasso do coração.
Amores eternos caminham descalços,
entre o feitiço do ontem e do agora.

Quatro pássaros consagrados,
com bicos rebeldes, vão cantar:
A serenata se abre em acordes lentos,
um violão acende estrelas no chão.
Cada palavra é um abrigo sagrado,
pra quem existe e insiste em viver.

Copacabana, transpira, respira fundo,
escuta, reage, luta, sorri e canta,
como quem sabe que a liberdade é bela,
primal, eterna e não vai mais embora.

Marolas, espumas brancas, sedução.
Na areia, cerveja e saudade,
penso nela, o sol vai nascer!


Affonso Milcíades Alves de Abreu

Advogado militante por 40 anos, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Rio de Janeiro, especialista em Psicologia Analítica Junguiana, analista em formação pelo CEJAA – Centro de Estudos Junguianos Analistas Associados.



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