Poesia domingueira n° 26. Volatus poetae. (O voo do poeta)

Affonso Abreu – 25/01/2026

O poeta voa longe, além de seus versos
e sua alma caminha descalça no invisível.
Percorre o silêncio que precede o mundo,
viaja nas sombras, onde a luz não nasceu,
mas que, com a força do etéreo, sonha nascer.
Suas palavras são apenas pegadas de vento,
rastros frágeis de um sonhador que busca,
em cada verso seu, a porta secreta do eterno.
Vai o poeta vai muito além de seus versos,
onde o horizonte se curva em mistério,
onde o indizível respira profundo,
onde o coração se escuta por dentro,
onde mundo não toca e o tempo se dissolve.
Peregrina suavemente entre estrelas submersas,
ouve o rumor da alma, toca a pele do silêncio.
E quando regressa à terra dos homens,
traz nos olhos o segredo do indizível,
as centelhas de um sonho primordial,
nas mãos, a mais doce consequência,
que em pura alegria e certeza plena,
denomina, pura e simplesmente, poema.

Affonso Abreu

Advogado militante por 40 anos, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Rio de Janeiro, especialista em Psicologia Analítica Junguiana, analista em formação pelo CEJAA – Centro de Estudos Junguianos Analistas Associados.


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