Francisco Celso Calmon
Hadad é ardiloso e quando quer é escorregadio.
Quando esses atributos são usados em favor do coletivo, são virtudes, quando usadas para seus interesses, podem ser traiçoeiros.
Ele e a Gleisi têm divergências ideológicos e estratégicas, além disso, ela é um quadro partidário, ele está no PT como poderia estar no PSB.
Recente quando a Gleisi estava (está) pressionando para ele assumir uma candidatura em SP, ele com sarcasmo tomou como um elogio pessoal, como quem diz, agora eu sirvo, né?
É ele antes do coletivo, são seus interesses e o objetivo futuro de presidente antes do projeto lula-petismo.
Como intelectual é presunçoso, o último ou penúltimo livro teoriza como se tivesse descoberta a pólvora antes dos chineses, a compreensão da história antes de Marx, a estratégia revolucionária antes de Lênin, como um arauto das teorias pós verdades, todas furadas pela própria história como critério da verdade.
Não se exclua a sua capacidade de conciliar interesses do mercado como os da sociedade, contudo, isto está tendo um preço alto para o governo e o PT.
Há duas diretoria vagando no BC e o que ele fez? Lançou publicamente um nome e disse que agora depende do Lula aceitar.
Bingo! Sai justa para Lula e o PT.
Se houver discordância, estará criado um contraditório público, para a mídia deleitar-se num ano eleitoral.
Da área econômica, jurídica e militar o retrospecto não é bom.
Palloci virou um conselheiro especial do Lula, autor da sugestão e escrita da Carta aos Brasileiros, aquela em que amarrou o Lula a não quebrar contratos com o mercado, e quando esteve preso na cadeia, virou traidor. (Felizmente não fez parte da geração que enfrentou à ditadura, senão …).
Tem um ditado que diz que Deus não deu asas à cobra, mesmo assim ela voa.
Por melhores e mais capacitados que seja alguns quadros de ideologia pequeno-burguesa, é preciso vigilância para impedir de botar ovos de serpente no caminhar de uma travessia perigosa.
Ele está se autovalorizando muito e se colocando como um igual ao Presidente.
Tem maestria para usar e ser queridinho da mídia tradicional, mas deve usar em benefício coletivo.
Não é o mento para priorizar o que o projeto pode fazer em seu benefício, mas priorizar o que ele pode fazer pelo projeto.
Estas eleições serão definidoras do rumo do Brasil, todo sacrifício será pouco para vencermos o neonazifascismo do bolsonarismo e o trumpismo.
Este texto é um reconhecimento à capacidade do Hadad.
Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon (Ferreira da Silva) é analista de TI, administrador, advogado; militante histórico e combatente à ditadura militar.
Sua luta começou cedo, como líder no movimento estudantil da UESES no ES e da AMES no Rio.
Foi dirigente regional da AP e organizador e coordenador do NML (Núcleo Marxista-leninista) – dissidência da AP; foi comandante regional do Colina (Comando de libertação nacional) e foi um dos fundadores da VAR Palmares.
Após a redemocratização, foi um dos organizadores da APPD – Associação de Profissionais de Processamento de Dados; um dos fundantes e coordenadores da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; é coordenador do Canal Pororoca.
Autor das obras: “Sequestro Moral, e o PT com isso?”, “Combates pela Democracia”, editor e autor da obra “60 anos do golpe: gerações em luta”, “Combates pela Democracia”, e “Memórias e fantasias de um combatente”, coautor das obras coletivas: “Resistência ao golpe de 2016”; e “O processo Lula, uma sentença anunciada”.
No campo profissional foi técnico de Ti, operador do direito e gestor de empresas públicas, estatais e privadas.

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