A Soberania de Joelhos: O Brasil entre a Conciliação Imóvel e o Colonialismo do Século XXI

Amaury Monteiro Junior

“Do silêncio diplomático ao abismo industrial: por que o Brasil de 2025 retrocedeu a 2011?”

Introdução: A Diplomacia da Submissão e o Governo do Ditador Trump

Recentemente, diante do cenário estarrecedor em que o Presidente Nicolás Maduro e sua esposa foram sequestrados em uma invasão militar dos EUA a um país soberano, o Presidente Lula limitou-se a declarar que o retorno de líderes vizinhos aos seus países “não é prioridade”. Essa afirmação, no mínimo sem sentido para um governante que se diz democrata e de esquerda, revela um sintoma profundo: a ausência de um projeto de nação soberana.

Ao tratar um crime contra a humanidade e um atentado à autodeterminação venezuelana como uma mera questão de agenda secundária, o governo brasileiro abdica de sua estatura diplomática e aceita, pelo silêncio conivente, a prepotência imperialista aplicada pelo governo do Ditador Trump.

Essa mesma passividade que ajoelha nossa diplomacia é a que paralisa nossa economia. Não há separação entre a falta de brio externo e a falta de projeto interno: o preço dessa “governabilidade” de conciliação — que teme confrontar tanto o ditador estrangeiro quanto o rentismo doméstico — aparece nitidamente nos números. Enquanto o governo se cala para não “gerar atritos”, a indústria brasileira definha, crescendo pífios 0,6% em 2025 e retornando ao exato patamar de produção de 2011.

1. O Retrocesso de 14 Anos e o Fantasma da Desindustrialização

Dizer que estamos no nível de 2011 em pleno 2026 significa que ignoramos todo o desenvolvimento global da última década. A realidade é cruel: a indústria de transformação estagnou, enquanto o setor extrativista (petróleo e minério) mascara o desastre produtivo. A verdadeira fábrica — aquela que gera emprego qualificado e tecnologia — está 16,3% abaixo do seu pico histórico.

A queda de 1,5% na produção de máquinas mostra que o país parou de investir em si mesmo. Na década de 1980, a indústria representava cerca de 30% do PIB; hoje, desabou para ínfimos 11%. Voltamos a um perfil colonial, eternizados como produtores de matérias-primas cobiçadas e consumidores passivos de tecnologia estrangeira.

2. Educação Sitiada: Do Militarismo ao Mercantilismo do EAD

Não se constrói uma nação soberana com uma educação submissa. Sob a contemplação do governo federal, vemos o avanço das escolas cívico-militares e sua doutrinação que anula o pensamento crítico. Esse modelo não forma cidadãos preparados para os desafios do século XXI; forma súditos condicionados à hierarquia cega e à aceitação do status quo.

Simultaneamente, o ensino superior mostra sua falência, vide o exame de proficiência médica para recém-formados. As universidades, focadas no lucro de acionistas na Bolsa de Valores, negligenciam a qualidade: 60% dos cursos de tecnologia migraram para o EAD, com currículos minimizados para atender à lucratividade empresarial. Sem cientistas e pensadores críticos, o Brasil será apenas um usuário passivo das tecnologias controladas pelo governo do Ditador Trump.

3. O Petróleo era Nosso, a Riqueza é dos Acionistas

A promessa do Pré-Sal no início dos anos 2000 era financiar o salto da educação e da saúde. Contudo, após o golpe de 2016, esses recursos foram desviados para investidores estrangeiros. O foco da Petrobras hoje é a rentabilidade do acionista, enquanto o povo brasileiro — o verdadeiro dono da riqueza — paga preços abusivos nas bombas. A inversão é ultrajante: os preços baixam nas refinarias da Petrobras, mas sobem nas bombas para os consumidores, evidenciando o desmonte da distribuição estratégica que antes balizava o mercado e impedia essa exploração absurda do povo.

4. A Traição dos Direitos Trabalhistas e o Marasmo Político

Apesar das promessas eleitorais de recuperação dos direitos destruídos nos anos 2000 e da reestatização de setores estratégicos como a Eletrobras, o que vemos é a manutenção do desmonte. A abolição dos direitos conquistados através de décadas de lutas continua a sacrificar nossas gerações. O governo atual, preso à armadilha da conciliação de classes, segura os movimentos populares legítimos em nome de uma suposta “governabilidade”, agindo exatamente como os sociais-democratas que outrora combatia.

5. Submissão ou Ruptura?

A normalização do sequestro de líderes estrangeiros e o silêncio diante da prepotência internacional mostram nossa submissão ao imperialismo do governo do Ditador Trump. Sequestrar um presidente de uma República independente e submetê-lo a leis estrangeiras é um crime contra a humanidade que não pode ser relativizado. Ao aceitar isso, anuímos para que práticas armadas, econômicas ou distorções de realidade sejam cometidas contra o nosso próprio país em um futuro muito próximo.

Análise Crítica e Sugestões para a Retomada Nacional

O Brasil sofre de uma “Síndrome de Colônia Tecnológica”. A falta absoluta de discurso e a ausência de práticas para atingir um grau de desenvolvimento compatível com nossos recursos nos coloca como o eterno país “em vias de desenvolvimento”.

Propostas Urgentes para a Luta:

  • Reforma Educacional Libertadora: Interrupção imediata do modelo cívico-militar e auditoria rigorosa nos cursos EAD de grandes grupos mercantilistas.
  • Recuperação da Petrobras e do Pré-Sal: Fim da política de dividendos para estrangeiros e retorno imediato dos recursos para o Fundo Social (Educação e Saúde).
  • Reindustrialização e Soberania Digital: Política industrial ativa que rompa a dependência tecnológica e fomente a inovação nacional.
  • Revogação das Reformas Regressivas: Recuperação real dos direitos trabalhistas e reestatização de empresas estratégicas.
  • Diplomacia de Altivez: Exigir a libertação imediata de Maduro e sua esposa, liderando o Sul Global contra o autoritarismo do governo do Ditador Trump.

Reflexão Final

A hora é de construir o país possível das migalhas ou de focar na construção de um país de futuro? O debate de 2026 deve ser sobre projetos, não sobre nomes. Queremos um Brasil democrático, soberano, socialmente justo, igualitário e tecnologicamente avançado para enfrentar os desafios do século XXI, ou continuaremos a colocar nosso povo de joelhos?

Amaury Pinto de Castro Monteiro Junior

Engenheiro Civil, Professor Universitário, âncora do programa “A Política Nua e Crua” do Canal Arte Agora, participa da coordenação do movimento Geração 68 – Sempre na Luta.



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