Teatro do faz de contas

Francisco Celso Calmon

São responsáveis aqueles que cativam e indicam para ocupar pastas de alto encargo do governo pelo posterior desempenho do indicado.

Depois da indicação e nomeação dizer que o filho não lhe pertence, não o reconhecer, é muita falta de honestidade política e covardia pessoal.

Criticar depois pelos malfeitos e eximir-se de ser o(s) progenitor(es), é mau-caratismo.

Se o filho tira notas azuis, assumem e exibem, se tiram notas vermelhas, escondem e fazem de conta que não o pariram.  Ou pior: criticam publicamente com a maior cara lavada.

 Brasil segue com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, mesmo com a inflação dentro da meta.

Depois do fato consumado, não uma e nem duas vezes, mas dezenas, voltam ao mesmo enredo: governo critica, Banco Central repete as mesmas cantilenas e platitudes à guisa do cardápio da conjuntura e ficam todos em nova expectativa, dentro de 45 dias, da nova reunião do COPOM.

O BC é uma autarquia autônoma, porém, contudo, todavia, quem nomeia a diretoria é o Presidente do Brasil, detentor, por delegação do sufrágio universal, da soberania popular

Lula recebeu a sugestão do nome do Galípolo do então poderoso ministro da fazenda, Hadad, que era o seu segundo no Ministério.

Tanto Hadad como Lula o elogiaram muito para a sociedade.

Galípolo elevou a SELIC de 12,25%, quando assumiu, até 15%,  por longos meses, e a cada reunião do COPOM, os membros do governo e do PT manifestavam suas expectativas e pressão pela redução. Não acontecia e criticavam. No início até disseram que o antecessor, Campos Neto, tinha deixado armadilhas e o Galípolo precisava de tempo.

O tempo decorreu e na primeira redução veio a frustração, em vez de pelo menos 0,5%, 0,25%.

Novamente o ato do teatro de faz-de-conta voltou: Lula, Hadad, Lindberg, Gleisi, voltaram com a mesma cantilena da decepação.

Galípolo usou a guerra no Oriente médio como argumento, por conta da instabilidade que produz. Estamos com conflitos armados desde Ucrânia e Rússia. Foi a desculpa de ocasião do BC para reduzir somente 0,25%. 

Uma guerra, se traz destruição, por um lado, ocasiona por outro, oportunidades.  Para aproveitá-las, os juros devem compensar investimentos na economia real, se não, vai para o escaninho rentista e a dívida do governo aumenta.

Vamos dar um basta na engambelação. Sejam sinceros e transparentes para contribuir no exercício da democracia para a sociedade.

Todas as instituições da Administração Pública estão obrigadas ao LIMPE constitucional (art.37).

Teatro verdade e não o de faz-de-conta.


Francisco Celso Calmon

Analista de TI, administrador, advogado; militante histórico e combatente à ditadura militar.
Sua luta começou cedo, como líder no movimento estudantil da UESES no ES e da AMES no Rio.
Foi dirigente regional da AP e organizador e coordenador do NML (Núcleo Marxista-leninista) – dissidência da AP; foi do comando regional do Colina (Comando de libertação nacional) e foi um dos fundadores da VAR Palmares.
Após a redemocratização, foi um dos organizadores da APPD – Associação de Profissionais de Processamento de Dados; um dos fundantes e coordenadores da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; é coordenador do Canal Pororoca.
Autor das obras: “Sequestro Moral, e o PT com isso?”, “Combates pela Democracia”, editor e autor da obra “60 anos do golpe: gerações em luta”, “Combates pela Democracia”, e “Memórias e fantasias de um combatente”, coautor das obras coletivas: “Resistência ao golpe de 2016”; e “O processo Lula, uma sentença anunciada”.
No campo profissional foi técnico de TI e diretor de empresas públicas, estatais e privadas.



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