Carlos Eduardo Pestana Magalhães
Sem educação política, coisa que era feita quando dos trabalhos sindicais de base ainda durante a ditadura, apenas transformar pessoas em consumidoras sem que sejam na prática cidadãs de fato, não garante nada.
Face a abissal distribuição de renda no país, onde a maioria dos trabalhadores ainda vivem sob regime de trabalho escravo moderno, sem direitos universais assegurados de qualidade de vida, vivendo sempre na corda bamba onde hoje tem alguma coisa, mas amanhã não tem nada, por que cargas d’água acreditarão em quer que seja?
Estes mesmos que votaram no Lula para presidente, votaram no Bolsonaro em 2018 e ainda votam nos candidatos da direita para cargos no congresso, nas assembleias, nas câmaras municipais, governadores e prefeitos. E nada garante que votarão no Lula em 2026…
E por que? Para grande parte da população brasileira é tudo farinha do mesmo saco, e sem educação política não há como diferenciar gato de lebre, especialmente quando a luta real é para sobreviver, nem que seja um dia a mais, e não para viver.
Para as chamadas classes médias, independente do posicionamento ideológico, tanto faz esse ou aquele governo. Pouca coisa muda quanto a qualidade de vida, visto que essa “classe social” é importante no apoio e suporte dos governos da direita e fascistas.
Quando o PT, sindicatos, centrais, movimentos sociais da esquerda pararam de atuar nas bases, nas periferias, nas favelas, nas fábricas, nos bairros para se tornarem burocratas de partidos, de sindicatos, de centrais, dos governos, esse espaço de atuação e de educação política foi ocupado rapidamente pelos pentecostais, evangélicos e assemelhados, prometendo salvação aqui na Terra e, principalmente, no paraíso após a morte pagando “suaves prestações” mensais aos pastores. Nada de novo, mas é sempre bom relembrar…
Sem falar que os evangélicos e semelhantes estão sempre do lado dos que precisam de ajuda, não importa quem e qual necessidade. E quando associado ao crime, às milícias, aos milicos de todas as cores, ao PCC/CV e similares, essa situação se agrava, as pessoas ficam a mercê dessas organizações, fazem basicamente o que elas querem em todos os níveis, especialmente quando nas eleições. O voto de cabresto jamais acabou, inclusive nas esquerdas…
Cidadania inexistente, respeito a vida idem, contínua repressão violenta, cruel e letal das corporações militares fantasiadas de polícia, racismos de todos os tipos, esperar o que? Apoio? Sério?
É mais fácil chamar de pobre de direita do que reconhecer que a falta trabalho de base e de educação política favorece o fascismo. Sem projeto claro de futuro, do que esperar para amanhã, de atender demandas antigas e necessárias, de apontar que existe um mundo possível e melhor, por que as pessoas deveriam simplesmente acreditar nos votados, em quem quase nunca atendeu de fato as necessidades, que some depois das eleições e que só voltam quando precisam de votos?
Não fosse assim, por que razão os mesmos que voltaram a comer três refeições ao dia, que conseguiram ter onde morar e até um carrinho popular na garagem, votaram no genocida em 2018 e, quando a Dilma sofreu o golpe, não saíram às ruas para defender a presidenta?
Lutar no institucional é importante, mas não havendo organização na sociedade que defenda a luta institucional, é sempre mais do mesmo. E olhe lá!
Carlos Eduardo Pestana Magalhães (Gato)

Jornalista, sociólogo, membro da Comissão Justiça paz de São Paulo, do Grupo Tortura Nunca Mais e da Geração 68 Sempre na Luta…




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