Nenhum candidato rivaliza com Lula. Ele que rivaliza consigo mesmo

Francisco Celso Calmon

É o fenômeno da fadiga de material que ocorre na química e na física.

Muito tempo de exposição leva inexoravelmente a esse fenômeno.

E aí, significa que Lula não deve ser candidato?  A resposta é não, pois tem vontade e saúde para isso, sobretudo porque 46% do eleitorado está com ele.

A saída está em se reciclar.

A mesma roupa, o mesmo verso, a mesma cara, o mesmo jeito, a mesma fala, os mesmos gestos, quando novas gerações surgiram e as antigas ficaram impacientes à espera do novo, da renovação.

A velhice, queiramos ou não, na nossa cultura, é sintoma de brevidade, de inservível, inobstante, a longevidade cada vez maior esteja levando a um processo de revisão desses antigos(?) valores.

Muito recente vimos o maior fenômeno físico, emocional e artístico de reciclagem chamado Shakira.

São, talvez, pequenos detalhes que passam batidos, mas, talvez, tenham importância até sem percebermos.

Da indumentária aos gestos, da barba à fala, da expressão à emoção, podem variar.

Pra quem já foi o sapo barbudo de macacão e cara de brabo, e posteriormente incorporou o Lulinha paz e amor, é bastante crível uma reciclagem para os tempos atuais.

Não há dúvida que tudo acima é cosmética, é aparência, contudo, lembremos sempre que a forma promove ou desgasta o conteúdo, a par disso, o mais precioso e juntos é a apresentação de um novo projeto que o povo possa abraçar, amar, lutar e sonhar com a sua realização.

Plano de metas da JK e reformas de Jango parecem perdidas no tempo, em busca de uma originalidade que nunca veio, a não ser que consideremos café da manhã, almoço e janta como tais.

Desde a época de Jango, Brizola e Darcy, não temos as reformas como as de base daquele governo: agrária, bancária, educacional, fiscal, eleitoral e urbana, um conjunto voltado para construir um Estado social-democrata.

Toda eleição fazemos tudo sempre igual e repetimos o “Cotidiano do Chico Buarque”, nesta, contudo, porém, todavia, não dá, pois é necessário separar quem é o sistema e quem é contra o sistema que infelicita o povo.

Da aparência à essência é mister renovar. Mais do que o invólucro, o conteúdo.

Esta será a última eleição do Lula. A história não carece de tudo sempre igual. Pelo contrário: a revolução social está atrasada de algumas décadas.

Vamos simplificar: quando a população foi para as ruas? Nós contra eles; Soberania; Congresso inimigo do povo; 6 x 1; Sem anistia.

Se as rédeas não voltarem às mãos progressistas, o fascismo avança.

Francisco Celso Calmon

Ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; membro da Coordenação do Fórum Direito à Memória, Verdade e Justiça do Espírito Santo. Foi líder estudantil no ES e Rio de Janeiro. Participou da resistência armada à ditadura militar, sendo sequestrado e torturado. Formado em análise de sistemas, advocacia e administração de empresas. Foi gestor de empresas pública, privada e estatal. Membro da Frente Brasil Popular. Autor dos livros “Sequestro moral e o PT com isso?” e “Combates pela Democracia”, coautor dos Livros “Resistência ao Golpe de 2016” e “Uma sentença anunciada – O Processo Lula”. Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Articulista de jornais e livros, coordenador do canal Pororoca.


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