Alexandre Santos
Nesta eleição presidencial de 2026, contrastando com a Esperança está o medo. De fato, em percepção que ganha nitidez a cada dia, o candidato Flávio Bolsonaro parece ter o condão de impor medo às pessoas, todas elas. Os assalariados têm medo do arroxo salarial já prometido por Flávio Bolsonaro às classes patronais. Os aposentados e pensionistas sabem que se Bolsonaro for eleito terão seus rendimentos desvinculados do salário mínimo e passarão a ganhar menos. No mundo do trabalho, todos sabem da política econômica baseada na perda do poder de compra do salário mínimo prometida por Bolsonaro ao mercado financeiro. Se atentarem para o significado do termo ‘tesouraço’, os engenheiros e as empresas da Engenharia ganham razões para ter medo de uma eventual vitória de Bolsonaro, pois o PAC será desmobilizado e as obras serão suspensas. De sua pate, os médicos também têm razão para medo da eventual eleição de Bolsonaro, pois os cortes orçamentários inevitavelmente atingirão o setor da saúde. Os que sonham com a casa própria têm razões para temer uma eventual vitoria de Bolsonaro, pois sabem do prometido fim que dará ao programa ‘minha casa, minha vida’. Aqueles que não possuem plano de saúde ou que não podem arcar com as elevadas despesas de certos procedimentos e tratamentos médicos têm medo da eventual vitória de Bolsonaro, pois sabem que o SUS será precarizado e, convertido num ‘plano de saúde popular’, passará a cobrar pelos seus serviços. Aqueles que, mensalmente, retiram remédios, fraldas e outros itens da Farmácia Popular têm medo da eventual eleição de Bolsonaro, pois sabem dos cortes que descaracterizaria o programa no caso de uma vitória de Bolsonaro. Se atentarem para os acenos da política externa prometida por Bolsonaro, os empresários que exportam ou importam para a China também têm razões para temer a sua eventual eleição. Se prestarem atenção aos números dos ‘plano safra’ praticados nos últimos anos, o pessoal do agronegócio também terá motivos para temer a eventual eleição de Bolsonaro. Os professores têm medo da eventual eleição de Flávio Bolsonaro, pois sabem que o ‘tesouraço’ vai atingir a Educação em cheio. Os estudantes pobres, que enfrentarão, o fim do programa ‘pé de meia’, também têm razões para ter medo de uma eventual eleição de Bolsonaro. Os artistas e intelectuais estão com pavor da ideia de uma eleição de Bolsonaro, pois lembram dos tempos de Jair e sabem que com Flavio não seria diferente. Sabendo disso e cientes do atual estímulo ao desenvolvimento científico e tecnológico, os cientistas também têm razões para medo de uma eventual eleição de Bolsonaro. Os patriotas estão apavorados com a possibilidade de Bolsonaro ocupar a presidência, pois sabem da já acertada entrega do Brasil aos Estados Unidos. Em resumo, mesmo que ainda não tenham percebido, TODOS TÊM RAZÃO PARA TER MEDO DE UMA EVENTUAL ELEIÇÃO DE FLÁVIO BOLSONARO. De um lado, está o medo e, do outro lado, está a esperança.
Alexandre Santos

Alexandre Santos é engenheiro civil, ex-presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco, membro da Academia Pernambucana de Engenharia e coordenador-geral da série ‘Engenharia & Desenvolvimento’




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