Carlos Eduardo Pestana Magalhães
O Lula foi eleito pela militância que se afastou do PT e alguns que não se afastaram, mas foi principalmente o povo nas ruas o maior vetor da vitória.
Foi esse povo que se afastou do partido há muito tempo, que não acreditava no partido, mas sim na manutenção da democracia que temos, mesmo que frágil, fortalecendo a figura do líder incontestável que é o Lula e, também, ao chamado organizativo do Janones.
Se o PT fosse o mesmo partido que era desde a sua criação, junto do povo, ajudando na organização dos movimentos sociais, dos sindicatos, das bases, na educação política ultra necessária, seguindo os preceitos da esquerda mundial, não chegaríamos à situação que chegamos.
Quando se tornou um partido voltado apenas para ganhar eleições, começou a destruição do PT. Continuou do trabalhador só no nome, se afastou das massas, abrindo o caminho para a direita ocupar o espaço deixado. E deu no que deu…
É na rua onde a esquerda sempre teve sua massa crítica de luta e reivindicações e não nos partidos. As ruas saíram apoiando, incentivando e apontando o Norte a ser seguido, mesmo que sem organização, sem projeto claro, apenas na defesa do país contra o fascismo.
A vitória não foi do Lula e muito menos do PT, mas da moçada, dos idosos, das mulheres, dos trabalhadores que aceitaram e concordaram com a defesa da democracia, foram todos eles juntos que salvaram o país e, com certeza, o mundo do avanço do fascismo.
Se o PT e o Lula não mudarem a economia política do governo, de nada adiantou tudo que foi feito. Mesmo com um congresso frágil, com maioria dos fascistas, a única forma do Lula enfrentar, e tem a obrigação de enfrentar e lutar, é se manter junto do povo, continuar a mobilização nas ruas e não esmorecer com conciliações que nunca adiantaram nada.
Mudar a política econômica neo liberal semelhante a do Paulo Guedes é fundamental. É obrigatório deixar de lado a visão assistencialista, de só dar maiores migalhas, e avançar a partir de uma política agressiva de crescimento sustentável e de desenvolvimento baseado na industrialização e na ciência. Parar com essa excrescência neoliberal de manter o superávit, de tetos para investimentos, tem que baixar os juros e, duvido que aconteça, fazer uma auditoria profunda na dívida.
Havendo, e haverá com certeza, oposição raivosa dos fascistas no congresso, as ruas sempre mobilizadas darão respaldo e apoio para essas mudanças estruturais no país. O Lula só terá apoio real do povo se continuar ligado a ele, deixando de lado as orientações da camarilha reacionária, conservadora e burocrática do PT.
Sem projeto claro de nação, de governo, sem gente nova, sem a possibilidade de emergir novas lideranças, especialmente vindas dos movimentos sociais, dos novos eleitos e de quem mais surgir durante a luta, que será intensa, o PT acaba, quem diria, no Irajá.
Sem isso não acontecer, esquece, daqui a quatro anos os fascistas chegam no governo, até porque ninguém mais acreditará nas esquerda e muito menos no PT. Acabando a credibilidade, adeus.
É agora ou nunca…
Carlos Eduardo Pestana Magalhães

Jornalista, sociólogo, membro da Comissão Justiça paz de São Paulo, do Grupo Tortura Nunca Mais e da Geração 68 Sempre na Luta




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