Pax immanens solitudinis

A paz imanente da solidão

Affonso Abreu – 29/12/2024

Sonhar, conversar com a alma, despertar,
em uma manhã diferente, morna, sem graça,
na praia deserta … beira-mar, sem rumo caminhava,
carente, indigente, sem paixões.

O ar escasso, pesado, de morno respirar, sem o
feitiço das cores, tudo era obscuro e cinza, em
ambiente sinistro e opressor, nenhuma flor no caminho,
as folhas secas, ausência de carinho, contrapondo o amor.

Segue sozinho, sem um sorriso amigo,
em caminhada lenta, forçada, sem convicção,
no domínio da incerteza, no olvido do desejo,
na perplexidade da mais completa solidão.

De repente, se lhe sacode a mente,
explode a luz em clarão fulgurante,
iluminando um mar calmo de ondas suaves,
que tocam a areia, despertando a alma incerta.

O caminhar, antes carente e indigente,
pela força da magia e os poderes da alquimia,
faz-se harmônico e potente, renascem todas as cores,
o aroma suave da flores, um intenso desejo e muita paz.

Extasiado dá-se conta, que não está só, muito ao contrário,
Descobre o poder de sua alma e a doce paz da solidão!


Affonso Milcíades Alves de Abreu

Advogado militante por 40 anos, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Rio de Janeiro, especialista em Psicologia Analítica Junguiana, analista em formação pelo CEJAA – Centro de Estudos Junguianos Analistas Associados.



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