2026: O Futuro é a Nossa Trincheira – Manifesto de Retomada e Reconquista

2026: O Futuro é a Nossa Trincheira – Manifesto de Retomada e Reconquista

Amaury Monteiro Jr, Lígia Bacarin e Rodrigo Tomazini

O ano de 2025 foi, para Equipe Editorial do site do Geração 68 – Sempre na Luta, um período de rigorosa autocrítica. Assumimos com honestidade revolucionária: falhamos na distribuição e na presença necessária nos grandes embates nacionais. Reconhecemos que a ausência de uma agitação política orgânica e a debilidade na disputa ideológica cotidiana permitiram o avanço de uma racionalidade neoliberal que desmobiliza e atomiza a classe trabalhadora.

Mas o tempo da hesitação e da política dos “pequenos avanços” — uma armadilha retórica que muitas vezes mascara o fisiologismo degradante e a entrega de cargos ao Centrão — acabou. As reformulações estruturais na equipe de Editoria do site Geração 68, ocorridas em dezembro de 2025, não foram cosméticas; elas ampliaram nossas alternativas para o fortalecimento do site e para a nossa intervenção política. Entendemos que a conciliação de classes não é um caminho para a vitória, mas um desvio estratégico que desarma o povo diante de seus opressores e pavimenta o caminho para o retorno do fascismo.

Voltamos para ocupar o espaço que nos cabe por direito e por história: o centro do debate político-ideológico que este país exige. Com convicção inabalável, reafirmamos que este site não será correia de transmissão de governo algum. Nossa autonomia é a garantia de que o horizonte revolucionário não será sacrificado no altar do pragmatismo.

O Projeto de Nação Contra a Ditadura do “Possível”

Nosso compromisso é com o povo brasileiro e com a construção de um novo projeto de nação que rompa com o “possível” imposto pelas elites e pelo sistema financeiro. Este “possível” nada mais é do que o limite estreito da reprodução do capital, que exige a precarização do trabalho e a miséria da maioria para manter o rentismo de poucos.

Não aceitaremos um projeto acorrentado aos dogmas do teto de gastos ou que mutile a soberania em troca de sobrevivência parlamentar. A soberania que defendemos exige o enfrentamento direto ao imperialismo e à condição de dependência que nos submete à divisão internacional do trabalho como meros exportadores de grãos e minérios. Um país sem controle sobre seu câmbio, sua energia e seu crédito é um país cujas decisões não pertencem ao seu povo, mas ao sistema financeiro transnacional.

Geração 68: Onde as Ideias Florescem e se Tornam Práxis

Entendemos que um novo projeto de país é imperativo e ele será construído a partir do embate de ideias. Este site é o porto seguro para o pensamento ousado, um espaço onde a teoria se consolida para traçarmos objetivos claros. Apostamos na construção de uma contra hegemonia que desafie a moral e a intelectualidade da classe dominante, devolvendo aos explorados — do operário fabril ao trabalhador de aplicativo — a consciência de seu papel histórico.

  • Transferência de Experiência e Diálogo Geracional: Somos a ferramenta que transfere nossa experiência acumulada para as novas gerações de militantes. Buscamos a síntese entre a memória das lutas contra a ditadura e a energia das novas rebeldias urbanas e periféricas, consolidando uma práxis que não se perde em academicismos estéreis, mas que fala a língua das ruas.
  • Combate à Acomodação: Repudiamos a postura da “esquerda acovardada” que retirou o povo das ruas e inibiu reivindicações justas em nome de uma governabilidade que favoreceu o agronegócio e os rentistas. Denunciamos que a desmobilização popular é o primeiro passo para a derrota; sem a força das massas em movimento, o Estado torna-se apenas o comitê gestor dos interesses da burguesia.

Eixos Estratégicos para a Reconstrução Soberana

Para que o Brasil se posicione com altivez no cenário global, estabelecemos pilares fundamentais para o nosso debate:

  1. Soberania Ambiental e Popular: A defesa do meio ambiente deve ser o motor central do desenvolvimento. Lutamos contra a pilhagem colonialista que agora se mascara de “capitalismo verde” para continuar explorando nosso território. Nossa soberania exige o controle estatal e popular sobre os recursos naturais: a Amazônia e nossas águas não são mercadorias para o mercado de carbono, mas patrimônio da vida e da sobrevivência do povo brasileiro.
  2. Ciência, Tecnologia e Trabalho Emancipado: O desenvolvimento tecnológico deve ser uma ferramenta para que a fome seja extinta. Denunciamos a soberania tecnológica sequestrada pelos oligopólios do Norte Global. Defendemos uma tecnologia que sirva à redução da jornada de trabalho sem redução de salários, combatendo a alienação digital e colocando a inovação a serviço da dignidade humana, e não da vigilância e do lucro algorítmico.
  3. Educação Libertadora vs. Adestramento: A educação é nossa principal linha de defesa contra o obscurantismo. Denunciamos a excrescência das Escolas Cívico-Militares e a tentativa da extrema-direita de converter salas de aula em quartéis. Lutamos por uma educação que forme sujeitos históricos conscientes, em oposição ao ensino mercantilizado que reduz o estudante a um simples insumo para o mercado de trabalho precário.

O Desafio de 2026: Aos Nossos Articulistas e Militantes

As eleições de 2026 serão um combate interligado contra as forças do atraso que se apossaram das instituições. Diante disso, lançamos um desafio:

  • Escrevam com Fúria e Método: Conclamamos nossos articulistas a produzirem ferramentas de articulação. Não queremos apenas análises de conjuntura passivas; queremos teses que desmascarem as contradições do capital e apontem caminhos para a ruptura com o subdesenvolvimento.
  • Proponham o “Impossível”: Usem este espaço para formular o que é necessário para o povo, confrontando o cinismo burguês que justifica a fome como fatalidade econômica. Questionem a estrutura da propriedade privada e o domínio do capital estrangeiro. Proponham uma economia orientada para a vida.

Ética, Lado e Razão de Existir

Nosso espaço é democrático, mas tem lado. Barramos, sem concessões: o lixo histórico dos defensores da ditadura, o delírio anticientífico e os herdeiros do imperialismo. O fascismo e o entreguismo são as duas faces da mesma moeda: a tentativa das classes dominantes de preservar privilégios à custa da destruição da nação.

Não somos um arquivo do passado. Somos a continuidade de um sonho que sobreviveu à prisão e à tortura. O espírito de 1968 não é nostalgia; é o combustível para transformar o presente. Nossa herança é a luta pela emancipação humana total e pela nossa segunda e definitiva independência.

Editoria do site Geração 68 – Sempre na Luta!


Autor 1: Amaury Pinto de Castro Monteiro Jr

Engenheiro Civil, Professor Universitário, Ancora do programa “A Política Nua e Crua” do canal Arte Agora, militante e membro da coordenação do movimento Geração 68 – Sempre na Luta!

Autor 2: Ligia Maria Bueno Pereira Bacarin 

Professora de História na rede pública de ensino. Com mestrado em Fundamentos da educação, pós-graduação em Educação Especial e doutorado em Fundamentos da Educação. Militante do PSOL-PR e colaboradora nas mídias sociais da Geração 68.

Autor 3.: Rodrigo Tomazini

Educador. Faz parte da equipe de comunicação do Movimento Geração 68 Sempre na Luta e é dirigente corrente Fortalecer o PSOL.



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