Feliz 2026, vai depender de nós!

Berna Menezes

Confesso que depois da pandemia,  enchente e como golpe final o genocídio palestino, eu andava meio descrente com a humanidade. Para piorar, depois de quase 50 anos de militância,  olhar os representantes da esquerda no mundo hoje, e ver uma pálida sombra dos grandes revolucionários, estava aumentando essa descrença.  Mas é o que a “casa” oferece.

Quem me conhece sabe, sou uma otimistas contumaz,  mas a realidade está foda! Parece que o pior das pessoas veio a tona. Uma insistência em pensar pequeno,  em sonhar pequeno, ausência de estratégia, de totalidade, um verdadeiro ode a mediocridade.

A vida sempre me foi generosa. Tive uma infância feliz no meio da Amazônia. Tive pais maravilhosos e diferentes de uma família “normal”. Irmãos e irmã carinhosos e brigentos, brincalhões e inteligentes. Nenhum com objetivo de ser rico na vida. Vivi em Belém, Porto Velho, São Paulo,  Rio, Rio Grande do Sul. Conheço todo o Brasil e vários países. Ultimamente,  minha alegria é tomar um chimarão no pátio com Mário, meus amigos, minha filha e ela, minha neta. A Princesa dos Ventos, que se apossou do meu quintal e do meu coração.

Mas eis que, no fim de tarde, resolvi ver um filme que tinha guardado para assistir sozinha, O Filho de Mil Homens. Surpresa! Uma declaração de amor a Humanidade. Aqui não é uma questão só de estética,  apesar de que a fotografia é de tirar o fôlego e primorosa. Mas o filme é um resgate ao ser humano que existe em cada um de nós, apesar de cada vez mais adormecido. O Filme trata com uma delicadeza e brutalidade sem fim,  do mundo que vivemos e mostra que não precisamos de muito para sentir empatia, com o sofrimento alheio, que a violência da vida não é uma fatalidade. Que a cura de um mundo doente, não é individual é uma busca coletiva. Terminei o filme e reencontrei a menina tomando banho nos igarapés, na adolescente apaixonada por revolucionar o mundo, a mãe e avó de mulheres especiais. Obrigada Santoro, obrigada Daniel Rezende,  pelo roteiro e direção, obrigada Valter Hugo Mãe, pelo livro que originou o filme, obrigada ao cinema brasileiro,  “que me ha dado tanto“. A Arte, muitas vezes é a sinalização do que podemos vir a ser e tem um papel fundamental na transformação do mundo!


Berna Menezes.

Berna é Secretária Geral do PSOL e dirigente nacional da corrente Fortalecer o PSOL.



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