Uma breve reverência às mulheres de luta de classes.

Francisco Celso Calmon

Tive excepcionais companheiras na luta revolucionária, em nome de duas mulheres homenageio a TODAS de ontem e de hoje, neste dia, 8 de março de 2026, no qual se rememora e comemora as lutas históricas das mulheres.

Em memória, Maria Auxiliadora de Lara Barcellos, médica, companheira no Colina/VAR e no cárcere da PE da Vila Militar no Rio de Janeiro.

Exemplo de humanismo, coragem e integridade moral.

Na Vila Militar, após todos os tipos de torturas que as mentes fascistas e psicopatas aplicaram, sem qualquer dó ou piedade, devido a sua resistência e beleza, nossos algozes colocaram-na nua, como humilhação suprema, numa sala para todos os milicos a olharem pela janela.

Os torturadores a quebraram física e mentalmente, abdicou da vida quando estava exilada na Alemanha.

Em vida, Dilma Rousseff, para mim Vanda, companheira do Colina à VAR-Palmares, cuja competência no combate à ditadura e na democracia levou-a, pelo voto, à Presidência da República, e, no exercício do governo, manteve a coerência com os nossos ideais e compromissos com a pátria, o povo e a democracia.    

Teve a coragem de criar a Comissão Nacional da Verdade, que, apesar das limitações, prestou o mais relevante serviço à necessária Justiça de Transição, sem a qual jamais o Brasil terá uma democracia sólida.

Golpeado duas vezes, Dilma vaticinou que voltaria, e mais uma vez vitoriosa é hoje Presidenta do banco dos Brics.

As mulheres quando se organizam na perspectiva da luta de classes, tornam-se forças poderosas para mudar a correlação de forças e fazer acontecer. Seja numa greve, seja numa insurreição; o perigo é a pelegagem que, para anteparo à luta de classes, foca numa luta de gênero, colocando mulheres contra homens, quando é a classe trabalhadora que tem o potencial histórico de transformar o sistema que explora e oprime a todas e todos. Esta visão não abstrai o feminicídio cometido por homens, contudo, propõe ir à raiz para GERAR A UNIDADE. A divisão serve sempre à classe dominante do sistema.

Saudações revolucionárias a todas de ontem, de hoje e das gerações futuras.


Francisco Celso Calmon

Analista de TI, administrador, advogado; militante histórico e combatente à ditadura militar.
Sua luta começou cedo, como líder no movimento estudantil da UESES no ES e da AMES no Rio.
Foi dirigente regional da AP e organizador e coordenador do NML (Núcleo Marxista-leninista) – dissidência da AP; foi do comando regional do Colina (Comando de libertação nacional) e foi um dos fundadores da VAR Palmares.
Após a redemocratização, foi um dos organizadores da APPD – Associação de Profissionais de Processamento de Dados; um dos fundantes e coordenadores da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; é coordenador do Canal Pororoca.
Autor das obras: “Sequestro Moral, e o PT com isso?”, “Combates pela Democracia”, editor e autor da obra “60 anos do golpe: gerações em luta”, “Combates pela Democracia”, e “Memórias e fantasias de um combatente”, coautor das obras coletivas: “Resistência ao golpe de 2016”; e “O processo Lula, uma sentença anunciada”.
No campo profissional foi técnico de TI e diretor de empresas públicas, estatais e privadas.



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