Carlos Eduardo Pestana Magalhães (Gato)
Do ponto de vista partidário, de quem está se candidatando, quando a questão é sobre segurança pública, o discurso é sempre pela metade, fica no superficial mesmo apresentado como se fosse a cereja do bolo. Não é…
Não existe polícia no Brasil, nunca existiu de fato. O que existe, e sempre foi, é apenas repressão militar.
As PM (Pronto pra Matar) são tropas militares adestradas para o combate, enfrentamento armado, para uso intensivo das armas contra bandidos “pé de chinelo”.
São braços armados na defesa do Capital, do OGROnegocio, da farialima, da grande mídia, da própria corporação militar, vistos serem uma casta que vive às custas da poupança e riqueza produzida pela sociedade brasileira.
Mudar o caráter da PM pressupõe mudar toda estrutura de segurança pública, acabando com os vínculos militares das chamadas “policias” pelo país.
A GCM, “Civil”, polícia penal, Força Nacional, Polícia Federal ou estão todas militarizadas e/ou se transformaram em correias de transmissão dos governos federal, estaduais e municipais para reprimir os escravos de sempre, os trabalhadores e marginalizados transformados em criminosos…
O governo federal, a quem se esperava deveria se esforçar para destruir essa estrutura, mantém esses vínculos militares ao invés de mudar, porque a questão dita polícial é antes de tudo militar. E isso é um tabu, um dogma para a esquerda…
A corporação dos milicos no Brasil existem apenas para manter o domínio do Capital, só pra isso, mantendo a tradição dos capitães do mato na caça, tortura e assassinatos dos escravos, hoje os moradores das favelas, periferias e comunidades. Mudou apenas as aparências e os métodos, são mais modernos e eficientes…
O funcionamento do fazendão que o Brasil é, corresponde a0 único projeto de nação que este país conheceu: capitanias hereditárias, escravidão e produção OGRO-mineral voltada para exportação, preferencialmente não industrializado…
E quanto a soldadesca, a casta milico golpista, não existe racismo nos militares, é apenas aparência.
Matam e reprimem basicamente a população pobre, preta e periférica como sempre fizeram ao longo dos séculos.
O soldado a partir do adestramento não é homem, mulher, negro, branco ou indígena. É apenas soldado…
Face à lavagem cerebral que recebem no adestramento, tornam-se máquinas de matar, de obedecer ordens, perdem totalmente sua humanidade. Fazem o que fazem porque são soldados e não policiais…
Polícia estrito senso sai para prender e levar o suspeito para a justiça julgar.
Militar não prende, apenas tortura e mata.
Dentro da criminalização da pobreza, são eles as vítimas, o objetivo das PM e demais entidades repressoras fantasiadas de polícia. Manter a ordem por meio do medo, do terror, da letalidade e tortura
Na real, nenhum governo dito progressista teve a coragem e audácia pessoal e política de enfrentar o quesito segurança pública.
Segurança pública é muito mais que repressão.
Tem a ver antes de tudo com a presença do Estado na qualidade de vida da sociedade, nos transportes, na saúde, na educação, no lazer, nas moradias, nos serviços de saneamento básico e água, ruas e avenidas pavimentadas, seguras e iluminadas.
Sem isso, mesmo com uma divisão blindada, de paraquedistas, tropas especiais e o escambau, do exército nas ruas, a criminalidade continua, não acaba. A História mostra bem isso, só não aprende quem não quer ou ganha com essa realidade.
As milícias, os PCC/CV, a farialima, os bancos mostram bem essa realidade, essa interface constante da criminalidade de altos bordos com a dita repressão militar, fantasiada de polícia.
A frase “bandido bom é bandido morto” é para o bandidinho pé-de-chinelo, aqueles que ficam na ponta, que fazem bico, que vendem as drogas, que assaltam com armas ou não pessoas. São os moradores das favelas e periferias, independente de serem ou não bandidos…
São esses os que são executados/torturados pela repressão armada brutal e cruel a título de defender a sociedade. Os criminosos maiores raramente são presos e quando são, em função da grana e do peso político-partidário que compraram, nem sempre a “justiça” consegue julgá-los e prender. Quando conseguem, é uma festa!
Na real, as esquerdas se borram de medo dos militares, sempre foi assim historicamente no Brasil.
Não fosse, por que o governo Lula referendou a Lei Orgânica das PM que propiciou à corporação mais poder, mais autonomia, maior impunidade nas ações letais que faz?
Por que na atual proposta de segurança pública do governo federal, com a tentativa de unificar operações ditas policiais, na verdade militares, nenhuma entidade de defesa dos direitos humanos participou?
Por que nenhuma entidade de defesa dos direitos humanos foi chamada para debater, opinar e quem sabe propor alterações na questão segurança pública e no papel das polícias de verdade?
Na real, todas entidades foram simplesmente ignoradas, só são convocadas para referendar projetos idealizados de cima para baixo, visto que são moedas de troca nas conciliações e negociatas com o centrão, jamais para resolver a questão propriamente dita…
O que se vê é que nada mudou, a lógica é sempre repressiva, mais soldados, mais equipamentos, mais dinheiro para manter a mesma “ordem e progresso”. Para quem, carapálida?
Como a esquerda não apresenta e não tem nenhuma proposta de segurança pública diferenciada, mais abrangente, com maior identificação com a sociedade, com participação efetiva da sociedade civil, o que se vê é mais do mesmo e pior.
Mantém o mantra da direita fascista de que “bandido bom é bandido morto” numa versão mais diluída, mais branda, mais palatável à todos. O objetivo são votos, só isso…
Carlos Eduardo Pestana Magalhães (Gato)

Jornalista, sociólogo, membro da Comissão Justiça paz de São Paulo, do Grupo Tortura Nunca Mais e da Geração 68 Sempre na Luta…


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