CUPINS DO BEM-ESTAR E DA CULTURA

Alexandre Santos

Por problemas cognitivos ou outros quaisquer, na cabeça do pessoal da extrema-direita não passa coisa que preste. Aliás, há quem diga que, sendo aversos aos sonhos, os bolsonaristas amargam pesadelos permanentes. É possível e, talvez, por não comportar pensamentos positivos ligados ao bem, a alegria, a arte e a cultura e não conseguir sonhar um mundo melhor para todos, marcado pela paz e pela abundância, aquela turma já acorda de mal-humor e só cultiva valores negativos ligados ao NÃO, aos cortes, às proibições, ao egoísmo, ao desamor, ao cada-um-por-si, enfim àquilo incapaz de produzir harmonia, prosperidade coletiva, bem-estar social.

Esta é a razão da falta de criatividade que – ao invés de, como fazem os humanistas e progressistas, pensar projetos que atendam necessidades, promovam justiça, melhorem a convivência entre as pessoas e, enfim, justifiquem o viver – faz a turma da extrema-direita só alcançar pensamentos rasteiros e limitados ao desejo de destruir aquilo sonhado pela Esquerda.

Neste sentido, de alguma forma que os psicanalistas talvez possam explicar, agindo como a face negativamente espelhada da Esquerda, a banda Direita dispensa a criatividade e se limita a tentar destruir aquilo pensado e feito pelo ‘outro lado’ – se a Esquerda fez o Bolsa-família, a Direita vai tentar destrui-lo; se a Esquerda fez o Luz-para-todos, a Direita vai tentar destrui-lo; se a Esquerda fez o Mais-médico, a Direita vai tentar destrui-lo; se a Esquerda fez o Minha-casa-minha-vida, a Direita vai tentar destrui-lo; e assim por diante.

Na realidade, como se praticassem um gabinete de sombras (shadow cabinet) do mal, a turma da direita vem dedicando o pouco fosfato que possa ter em propor medidas que levem à concentração de renda, à injustiça social, à destruição da cultura, ao boicote de ações com vistas ao fortalecimento da soberania, efetivo combate ao crime organizado, etc.

É neste sentido que se enquadra, por exemplo, o projeto-de-lei apresentado por um tal deputado Capitão Augusto para extinguir o IPHAN, o instituto que, contrariando aquilo que quer a extrema-direita, se preocupa com a preservação do patrimônio histórico e artístico do País. O pensamento da extrema-direita atua com um cupim do bem-estar e da cultura e, tal como acontece com as pragas destrutivas, precisa ser enfrentado com vigor.

Por isso (e muito mais), a banda pensante da sociedade brasileira junta a voz para gritar o mais rotundo NÃO à ignorância, à truculência, à violência e tudo aquilo que se refira às trevas propostas pela extrema-direita.

Alexandre Santos

Engenheiro e escritor. Ex-presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco e presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Escritores, presidiu a União Brasileira de Escritores e faz a coordenação nacional da Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural. Autor premiado com livros publicados no Brasil e no exterior, Alexandre é o editor geral do semanário cultural ‘A voz do escritor’ e diretor-geral do canal ‘Arte Agora’.


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