A EMENDA 25

Alexandre Santos

A quase totalidade do mundo civilizado tem algum ressentimento contra os Estados Unidos. Pudera! Ao longo do tempo, desenvolveram e, na sequência, instalaram uma espécie de gene da ‘arrogância ignorante’ no próprio DNA, criando uma nacionalidade de difícil convivência com o restante do mundo.


De qualquer forma, nestes últimos meses, em decorrência das vergonhas impostas ao país pela ‘imbecilidade extrema’ (uma das variantes da ‘arrogância ignorante’) que marca o comportamento do presidente Donald Trump, vem surgindo uma onda de solidariedade ao povo estadunidense, os qual, por mais graves que possam ser seus eventuais defeitos, não merecem passar tanta vergonha.


De fato, às notícias sobre as taras pedófilas, cleptomaníacas, genocidas e criminosas do presidente Donald Trump, somam-se a tibieza e a desfaçatez, montando um quadro que, passados os perigos imediatos possíveis aos botões por ele controlados, arranca frouxos de riso, fazendo-os [fazendo os estadunidenses] cabisbaixos, olhando de bandinha (como se diz no Nordeste), mortos de vergonha.


Ontem, por exemplo, depois de cruzar um ponto sem retorno, dizendo que fazia, acontecia, matava e esfolava, em reação nitidamente esquizofrênica, recuou com o rabo entre as pernas a um simples olhar do aiatolá Mojtaba Khamenei, impondo nova vergonha ao povo estadunidense.


Foi assim. No primeiro ato, Donald Trump inflamou os olhos para dizer: “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada… 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim”. Poucas horas mais tarde, depois de sucumbir às exigências feitas pelo Irã para aceitar um cessar-fogo momentâneo, como se nada tivesse dito antes, o presidente Donald Trump abriu a boca para falar: “Forneceremos todo tipo de suprimentos… Assim como estamos vivendo nos Estados Unidos, esta pode ser a Era de Ouro do Oriente Médio”.


Imagine como fica a cabeça do estadunidense diante da orientação biruta vinda do seu presidente. É muita esquizofrenia.


Não ocorre sem razão, portanto, a onda embalada por Tucker Carlson que propõe a insubmissão dos militares às suas ordens [as ordens de Donald Trump].


Na realidade, buscando uma saída mais radical, inúmeros e crescentes seguimentos da sociedade estadunidense defende a aplicação da 25ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, simplesmente retirando Donald Trump da presidência do país por ‘absoluta incapacidade de permanecer no cargo’. A tal 25ª Emenda estabelece procedimentos ‘para a sucessão e substituição presidencial em caso de morte, renúncia ou incapacidade’ (é a situação na qual se enquadra Donald Trump).


O problema é que, no caso da aplicação da 25ª Emenda, a presidência dos Estados Unidos passará a ser ocupada pelo vice-presidente James David Vance, o qual, segundo dizem, consegue ser pior do que o próprio Donald Trump.


De qualquer forma, renovo a opinião já proferida há muito tempo: Donald Trump não conseguirá concluir o segundo ano do mandato.

Alexandre Santos

Alexandre Santos é engenheiro e escritor. Membro da Academia Pernambucana de Engenharia, ex-presidente da União Brasileira de Escritores e coordenador nacional da Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural


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