Carlos Eduardo Pestana Magalhães (Gato)
Aumentar o orçamento militar para que? É falso, é pura ideologia afirmar que os militares brasileiros existem para defender a soberania, as fronteiras, a constituição. É só acompanhar a História deste país para entender que esta casta maldita dos milicos jamais defenderam ou defenderão o país de qualquer invasão de qualquer país do OTANistão, especialmente dos EUA.
Os milicos daqui existem para ocuparem militarmente o próprio país, atuam como defensores do Capital, do OGROnegócio, dos bancos/farialima, departamento de estado ianque/militares americanos etc. Qualquer novo brinquedinho de guerra, seja de segunda ou terceira mão, seja “montado” ou não do país, servirá antes de qualquer outra coisa para o único papel que os milicos sabem fazer muito bem, qual seja, dar golpes, ser governo, reprimir violenta e cruelmente a sociedade civil.
A existência de militares em qualquer lugar se justifica para apenas duas coisas: atacar e/ou se defender. Quem o Brasil pretende atacar? Se defender de quem? E para se defender, o país tem que ser independente tecnológica e cientificamente, ter uma base industrial sólida especialmente na indústria de transformação (máquinas que fabricam máquinas), ter um Estado forte e atuante na economia visando manter essa independência industrial, ter planos a médio e longo prazo de crescimento e desenvolvimento próprios, atuar na manutenção da qualidade de vida dos cidadãos etc. e tal.
Sem isso, dar mais armas para quem pretende te matar, metafórica ou concretamente, é no mínimo burrice. Múcio sabe disso, o Lula sabe disso, tanto assim que ele se recusa a atuar como comandante em chefe das forças armadas, aceitando a tutela dos milicos, sabendo que o tempo todo estão tramando o golpe.
A carta assinada pelos três presidentes do clube militar há poucos dias, do exército, da marinha e da aeronáutica deixam claro que os milicos se sentem e atuam como se fossem paradigmas da ordem, do progresso, da ética, da responsabilidade, que sem eles para fiscalizar o país nada dará certo.
Eles ainda se consideram o quarto poder, inexistente em qualquer república, o tal moderador. E só têm “legitimidade” em função das armas que dispõem, do uso que sempre fizeram contra a sociedade civil e mais nada. Isso tudo sem falar das interfaces com o crime, com as facções, com as milícias etc.
Na real, os milicos brasileiros são mercenários, corruptos, entreguistas e só defendem a corporação militar a qualquer custo. Seus privilégios são eternos, não tem absolutamente nada de nacionalistas e “legalistas”, em que pese haver uns poucos que destoam dessa falsa ideologia de serem defensores da pátria. Nunca foram…
Carlos Eduardo Pestana Magalhães (Gato)

Jornalista, sociólogo, membro da Comissão Justiça paz de São Paulo, do Grupo Tortura Nunca Mais e da Geração 68 Sempre na Luta…





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