Poesia domingueira nº 47 Marulae… Centones maris! Marolas… Retalhos do mar!

Affonso Abreu – 16/08/2026

Marolas vêm sem pressa,
em águas de antiga alquimia;
trazendo nas dobras da espuma,
os segredos da travessia.

São pequenos mistérios,
fragmentos de imensidade;
um pouso do céu na água,
resquícios de eternidade.

Marolas…

Chegam, partem,
mas voltam sempre —
como sonhos que
não querem terminar.

Cada uma traz consigo
na magia do silêncio,
uma memória sem nome,
os segredos do mar.

Retalhos do mar…

Espuma que se desfaz,
mas que não desvanece;
e o que parece ser um fim
é recomeço e permanece.

O horizonte não responde,
apenas muda de lugar;
e eu sigo perguntando
o que o mar veio contar.

Breves sinais de eternidade…

Porque há um mar intangível,
que suspira dentro de nós;
uma maré latente e subterrânea,
que irradia o que dorme em nós.

E quando a noite se derrama
sobre a praia adormecida,
o mar recolhe seus retalhos
e nos reintegra à vida.

O mar em nós …
e nós na infinitude!

Affonso Abreu

Advogado militante por 40 anos, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Rio de Janeiro, especialista em Psicologia Analítica Junguiana, analista em formação pelo CEJAA – Centro de Estudos Junguianos Analistas Associados.


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