Poesia domingueira nº 48. Incantamentum aestuum et mysterium existentiae. O feitiço das marés e o mistério da existência.

Affonso Abreu – 23/08/2026

O feitiço nas marés:
elas vão e voltam,
e o mar contempla e decifra
o segredo de todos os retornos.
A lua sedutora magnetiza o mar,
e as águas obedecem, cativas,
a um dialeto sem palavras.
As marés falam sua própria língua.
O silêncio é a voz secreta das águas.
A existência:
simboliza seus enigmas nas marés.
Na alquimia das marés, a partida
se transmuta em retorno.
Nada permanece.
Nada desaparece.
A alma vivencia sua própria alquimia,
que transforma sombra em consciência,
perda em sentido e silêncio em revelação.
A maré sobe!
A maré desce!
Nos fragmenta!
Eis aí a grande aventura:
no eterno feitiço das marés,
atravessamos o mar e
o mar nos atravessa.
São memórias sem nome e
sonhos que não sabem sussurrar.
Talvez a existência seja assim:
somos maré,
somos distância,
somos silêncio,
somos infância!

Affonso Abreu

Advogado militante por 40 anos, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Rio de Janeiro, especialista em Psicologia Analítica Junguiana, analista em formação pelo CEJAA – Centro de Estudos Junguianos Analistas Associados.


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