Francisco Celso Calmon
Marighella defendia que os revolucionários não deveriam esperar as condições ideais, mas, sim, criar as condições através de ações práticas, ações diretas armadas.
Não há dúvida que era um incentivo ao voluntarismo, mas cumpriu um papel e abalou a ditadura.
O foquismo de Che Guevara também foi um voluntarismo que o levou à morte.
As estratégias do tudo ou nada, radicais, não no sentido de ir à raiz, mas do paroxismo, são facilmente assimiláveis e ambiente propícios a infiltrações.
O militarismo de grande parte das organizações revolucionarias que combateram à ditadura, raciocinavam no estreito cartesianismo de “isso ou aquilo, e se isso ou aquilo a conclusão só poderia ter tal resultado”.
A autocrática da esquerda, incentivada pela direita, foi radical: divorciar-se do passado e seguir o permitido pelo sistema dominante.
Esse desquite amigável deu no que é na atualidade a esquerda: reformista por excelência, republicanista por pedagogia.
Sem um projeto de nação e sem, obviamente, estratégia, pois, sem a definição de qual lugar chegar, não há como estabelecer uma estratégia.
A esquerda foi reduzida a um movimento eleitoral, no qual finca bandeiras a cada quatro anos de acordo com as circunstâncias e correlação de forças eleitorais e estabelece táticas sem conexão com a estratégia, pois não existe.
Não há a menor dúvida de que não existem condições objetivas e subjetivas para uma revolução anticapitalismo e imperialista.
O raciocínio cartesiano termina aí: se não há condições, logo não se faz revolução.
Onde está a falácia desse raciocínio?
Está em que na falta de condições, não se faz, mas se prega a revolução, se combate a ideologia burguesa e o sistema capitalista.
O dever de todo revolucionário na atualidade é pregar a revolução.
O reformista também assertiva a necessidade da revolução social, mas prega divorciada da revolução política, ou seja: sem correspondência com o empoderamento da classe trabalhadora. E o resultado é o que temos assistido nos governos Lula.
Lembrando Lenin: que fazer?
Talvez a reposta esteja no seu artigo seguinte: duas táticas. “A libertação dos operários só pode ser obra dos próprios operários; sem a consciência e a organização das massas, sem a sua preparação e a sua educação, por meio da luta de classes aberta contra toda a burguesia, não se pode sequer falar de revolução socialista”.
Duas táticas para a conjuntura: 1. Trabalhar para que o governo Lula 4 ser à esquerda; 2. e pregar a necessidade da revolução anticapitalista e imperialista.
Portanto, a esquerda deve desde já procurar influir no programa de governo que será apresentado ao eleitorado.
Ousar para conquistar, conquistar para vencer, vencer para empoderar a base da classe trabalhadora.
O paradoxo é que não há um proletariado com consciência revolucionária, por conseguinte, o que vem ocorrendo é a ascensão de uma elite burocrática pelega.
Voltamos ao que fazer e a resposta é ao que já se tornou um mantra: FOP: Formação. Organização e Participação.
O governo tem uma ampla aparelhagem de comunicação – rádio e tv, contudo, não a usa como este fito.
Nem todo gato é pardo, nem todo cão é caramelo, contudo, a realidade é dialética.
Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon (Ferreira da Silva) é analista de TI, administrador, advogado; militante histórico e combatente à ditadura militar.
Sua luta começou cedo, como líder no movimento estudantil da UESES no ES e da AMES no Rio.
Foi dirigente regional da AP e organizador e coordenador do NML (Núcleo Marxista-leninista) – dissidência da AP; foi comandante regional do Colina (Comando de libertação nacional) e foi um dos fundadores da VAR Palmares.
Após a redemocratização, foi um dos organizadores da APPD – Associação de Profissionais de Processamento de Dados; um dos fundantes e coordenadores da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; é coordenador do Canal Pororoca.
Autor das obras: “Sequestro Moral, e o PT com isso?”, “Combates pela Democracia”, editor e autor da obra “60 anos do golpe: gerações em luta”, “Combates pela Democracia”, e “Memórias e fantasias de um combatente”, coautor das obras coletivas: “Resistência ao golpe de 2016”; e “O processo Lula, uma sentença anunciada”.
No campo profissional foi técnico de Ti, operador do direito e gestor de empresas públicas, estatais e privadas.




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