Amaury Monteiro Jr.
No dia 6 de março de 2026, o que deveria ser uma escala técnica para um seminário acadêmico na Guatemala transformou-se em um ato de perseguição política sob o disfarce de “burocracia migratória”. O ex-ministro e jornalista Franklin Martins foi retido, interrogado e deportado pelas autoridades panamenhas. O pretexto? Uma condenação política dos tribunais de exceção da Ditadura Militar brasileira (1964-1985).
Este episódio não é um fato isolado, nem um mero “erro de sistema”, como tentou justificar a chancelaria panamenha após a pressão do Itamaraty. É a prova material de que a estrutura de vigilância das ditaduras do Cone Sul foi atualizada para o código binário. Estamos diante de uma “Operação Condor Digital”.
A Emboscada: O Arquivo que Nunca Fechou
O relato de Franklin Martins é detalhado e perturbador. Ao desembarcar no Aeroporto de Tocumen, foi separado dos demais passageiros por policiais à paisana. O interrogatório, focado em sua prisão em 1968 em Ibiúna, revela que os arquivos da repressão do século XX foram digitalizados e integrados aos sistemas de “inteligência” do século XXI.
Conforme reportado pelo ICL Notícias e pelo Brasil 247, a operação ocorreu sob o amparo de acordos de segurança firmados em 2025 entre o Panamá e os EUA. O uso de uma lei de 2008, endurecida por decretos recentes, mostra que o Panamá atua hoje como um braço avançado de Washington na América Latina. O “DNA” do fascismo se faz presente quando um país impede o trânsito de um cidadão por ele ter combatido uma ditadura instalada, no passado, com o apoio dos próprios Estados Unidos.
O Coro da Resistência: A Imprensa de Esquerda se Manifesta
A rede de resistência midiática brasileira foi uníssona ao denunciar o caráter ideológico da deportação:
- O Brasil 247 apontou que o Panamá, ao atuar como filtro ideológico, abdica de sua soberania para servir como entreposto de vigilância norte-americana, revivendo o macartismo em plena era digital.
- O ICL Notícias reforçou que “não existe erro técnico quando o alvo tem CPF e história política marcados pela resistência”.
- A Revista Fórum e o portal Outras Palavras enfatizaram a necessidade urgente de o governo brasileiro exigir a exclusão de nomes de ex-presos políticos de quaisquer listas internacionais de “alerta”.
Análise Crítica: O Silêncio que Envergonha
Apesar do recuo diplomático do Panamá — que enviou uma carta de desculpas classificando o ato como um “alerta automático” —, a gravidade permanece. Aceitar a tese do “erro de sistema” é ignorar que tais sistemas são alimentados por diretrizes expansionistas que visam subjugar a América Latina, tratando-a como se quintal fosse.
Nós, que sofremos as perseguições dos tempos duros, não podemos normalizar agressões como esta. O silêncio ou a timidez inicial das instituições brasileiras são combustíveis para o fascismo moderno. Aceitar passivamente que um patriota seja tratado como criminoso por ter combatido o arbítrio é aceitar que a nossa própria democracia ainda pede licença para existir.
O Protesto da Geração 68: Por Justiça e Reparação
Como integrante da Geração 68 – Sempre na Luta, levanto minha voz em protesto veemente. Este atentado contra Franklin Martins é a prova de que a Justiça de Transição no Brasil é uma tarefa inacabada. A perseguição só persiste porque os arquivos das Forças Armadas brasileiras continuam lacrados, protegendo criminosos de ontem e alimentando os algoritmos de repressão de hoje.
Lutamos por toda uma vida por um Brasil Democrático, Soberano, Socialmente Justo e Igualitário. Não aceitaremos que o estigma imposto por generais golpistas continue a perseguir nossos companheiros em 2026. Exigimos:
- A Abertura Total dos Arquivos das Forças Armadas, para que a verdade seja revelada e as “listas sujas” extintas definitivamente.
- Reparação Histórica e Proteção Diplomática Ativa, para que nenhum brasileiro seja humilhado em solo estrangeiro por seu passado de luta pela liberdade.
- Respeito à Autodeterminação dos Povos, contra as atitudes fascistas daqueles que se acham os donos do mundo.
Ao tentarem barrar a passagem de Franklin Martins, tentaram barrar a própria história de libertação do nosso povo. Mas a memória é resistência, e a nossa luta pelo respeito aos patriotas que ousam enfrentar o imperialismo e o fascismo não cessará.
Sempre na Luta!
Amaury Pinto de Castro Monteiro Jr.

Engenheiro Civil, Professor Universitário, militante do movimento Geração 68 – Sempre na Luta



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