EFEITO BUMERANGUE DA GULA

Alexandre Santos

Ontem, muito provavelmente por pressão dos pecuaristas locais, a União Europeia excluiu o Brasil de lista dos países dos quais pode importar animais vivos e produtos de origem animal. O veto se baseia no ‘não-cumprimento de normas sanitárias europeias sobre o uso de antibióticos na pecuária’. Neste caso específico, a alegação afirma que o Brasil não apresentou garantias suficientes de que os produtores não utilizam uns tais ‘antimicrobianos’ (drogas que agilizam o crescimento dos animais). Embora a decisão da União Europeia tenha clara motivação econômica, é de se esperar o surgimento de outros obstáculos à exportação dos produtos agropecuários brasileiros, especialmente em função dos pecados congênitos que carregam – produção feita em terras açambarcadas e esbulhadas de populações originárias, uso de agrotóxicos, vitaminas, hormônios, antibióticos e todo tipo de droga para acelerar o crescimento, a engorda, a resistência a pragas, enfim aumentar o rendimento da produção agrícola. Não é sem razão que, por puro medo do risco de envenenamento, os próprios produtores agrícolas prefiram eles próprios consumir ‘produtos orgânicos’, os quais são isentos das drogas presentes nos ‘produtos comerciais’. Aliás, a liberalidade da legislação brasileira referente ao uso dos plásticos e à produção e consumo dos alimentos ultraprocessados (inclusive por bebes de colo e crianças) caminha pari passu com a sua tolerância [tolerância da legislação brasileira] com o desrespeito ao meio ambiente e ao uso de drogas perigosas pelo agronegócio. Talvez seja hora de o governo brasileiro começar a rever a legislação aplicada à produção de alimentos de modo a torná-los, não só menos sujeitos aos embargos comerciais, mas, sobretudo, [a torná-los] mais seguros ao consumo das pessoas.

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Engenheiro e escritor. Ex-presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco e presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Escritores, presidiu a União Brasileira de Escritores e faz a coordenação nacional da Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural. Autor premiado com livros publicados no Brasil e no exterior, Alexandre é o editor geral do semanário cultural ‘A voz do escritor’ e diretor-geral do canal ‘Arte Agora’.


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