FORÇAS ARMADAS DO BRASIL ATUAM COMO SE FOSSEM POLÍCIA. O HAITI É AQUI…

Carlos Eduardo Pestana Magalhães – GATO

Para os que ainda resistem em aceitar que não existe força policial “stricto sensu” no Brasil, mas corporação militar atuando como se fosse polícia desde a ditadura de 64, e que as outras forças policiais, tipo Civil, GCM etc. são reproduções do que as PM (forças militares a serviço do exército) fazem, sugiro ler o texto no linque, “Letalidade policial e insegurança pública: o caso paulista”, por Thais Battibugli (Ciências Sociais Unesp) – https://www.academia.edu/144131912/Letalidade_policial_e_inseguran%C3%A7a_p%C3%BAblica_o_caso_paulista?email_work_card=thumbnail.
Enquanto as esquerdas que se dizem defensoras dos direitos humanos continuarem com o mantra ridículo, hipócrita e ineficaz de que é preciso desmilitarizar a PM – como desmilitarizar a PM se a estrutura repressiva existente no país é militar, é a mesma criada na ditadura de 64 e que nunca foi desmontada -, mantra este que esconde a real importância da militarização da chamada (in)segurança pública pelo Estado brasileiro.
Independente da coloração político-ideológica do governo de plantão, o que se vê nos governos das esquerdas é a manutenção do “mais do mesmo” e a manutenção do lema “bandido bom é bandido morto”, só que numa aparência mais macia, elegante, tipo “hay que endurecer, pero sin perder la ternura, jamás!”. É pau na moringa, mas pedindo desculpas…
A repressão militar fantasiada de policial continua existindo, tendo sido aperfeiçoada pelos governos eleitos pós final formal da ditadura (1985), visto que o objetivo maior, estrutural e Histórico da existência desta forma de controle social das massas, vale dizer, dos escravos de sempre que moram nas senzalas modernas (favelas, periferias, comunidades, quilombolas etc.), se mantém. Ou melhor, se aperfeiçoou…
Como a questão dita policial é na verdade uma questão essencialmente militar, de disputa de poder da casta maldita dos milicos, que desde início quiseram, e ainda querem, fazer parte integrante dos três poderes da república, dos governos, das decisões de Estado, as esquerdas fogem deste debate e deste confronto inevitável como o diabo da cruz.
Ficam enrolando, amaciando, tentando enganar a si próprios e a todos no país, afirmando sempre que questionados, que os milicos são legalistas e que respeitam o comando do presidente eleito da república. Que são defensores do estado de direito. Que direitos? Que Estado?
Tal como a história do escorpião com o sapo, os milicos não conseguem ser contra a natureza. São golpistas, mercenários, corruptos, entreguistas, se consideram parte do quinto exército americano desde a segunda guerra mundial, não são cidadãos brasileiros, mas sim militares e que por isso exigem serem respeitados, idolatrados e que o povo aceite passivamente todas as exigências e privilégios que esta casta maldita tem na sociedade brasileira.
Por isso que suas ações contra as massas de trabalhadores nos golpes, nas GLO, em qualquer atuação que venha a ter são sempre violentas, letais, de tortura, assassinatos e desaparecimento dos corpos. A História tem mostrado à exaustão esses fatos e mesmo assim as esquerdas viram o rosto e procuram justificar e/ou aceitar essas características monstruosas dos milicos brasileiros como se fossem defensores da soberania, das fronteiras, da constituição, das liberdades, do estado de direito etc. Não são e nunca foram. À quem tentam enganar?
Pura lenda, mentira e ideologia para justificar a existência desta casta custosa e desnecessária ao país. Todos equipamentos que dispõem, todo adestramento, armas etc, visam apenas o controle social e não para defesa das fronteiras. As guerras atuais no Irã, Palestina, Líbano, Ucrânia etc. tem mostrado que tanques, blindados, aviões super modernos, porta-aviões, submarinos etc. servem muito pouco frente aos mísseis de cruzeiro supersônicos, independente de serem ou não atômicos, e/ou drones de todos os tipos.
Além de serem mais baratos, são muito mais eficientes no campo de batalha. Qualquer outro brinquedinho não vale para nada, são todos destruídos rapidamente. Na real, todas as armas, equipamentos que o exército, marinha e aeronáutica tem, na sua maioria estrangeiros, fabricados e projetados fora do país, não servem muita coisa numa guerra de verdade, caso algum país, tipo EUA, resolva invadir. Seriam destruídos rapidamente.
Esses brinquedinhos servem para duas coisas: mostrar alguma modernidade e uma eficiência inexistente, pura propaganda e, o mais importante, manter o controle social, como se o Brasil fosse uma nação inimiga e os militares tupiniquim uma força estrangeira de ocupação. Um Haiti, uma favela invadida etc., só para isso.
O modelo de exército que o Brasil copiou foi o colonial e imperialista cuja função era invadir, ocupar e controlar as colônias para manter funcionando a produção agrícola e mineral que interessava aos países europeus. É um modelo hierárquico baseado no estamento onde a oficialidade tem todos os direitos e privilégios.
Os soldados e suboficiais, tipo sargentos e cabos, apenas obedecem ordens, não tem quase nenhum direito, ficam a mercê dos humores dos oficiais. Dificilmente conseguem chegar a oficiais pois não fizeram academia, como a AMAN. Só em caso de guerra que sargentos podem ser promovidos a tenente, por exemplo, face ao comportamento considerado exemplar e corajoso frente ao inimigo. Isso aconteceu na FEB, no teatro italiano, durante a segunda guerra mundial (1939-1945).
Bem, todo o resto é conversa pra boi dormir e as esquerdas fazem exatamente isso. Ajudam na enganação visando ganhar eleições…


Carlos Eduardo Pestana Magalhães (Gato)

Jornalista, sociólogo, membro da Comissão Justiça paz de São Paulo, do Grupo Tortura Nunca Mais e da Geração 68 Sempre na Luta…



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