Affonso Abreu – 31/05/2026
Magia escondida nas tardes,
entre bolas de gude e poeira dourada.
As pipas, criaturas aladas, levavam mensagens
aos seres divinos esquecidos das nuvens.
Os peões giravam círculos libertos,
abrindo portais etéreos na mãe terra;
Pelas ruas da lúdica alma infantil,
o mundo cabia nas mãos:
um barbante, uma lata vazia,
uma bolinha, uma pipa, um peão,
um sonho sem explicação.
A memória abre antigas janelas,
e a criança interna impera solto,
correndo entre quintais e vielas.
E os quintais tornavam-se reinos,
os muros viravam montanhas,
as árvores torres antigas,
e o sol, mestre alquimista,
irradiava mansa alegria.
Os anos passam como rios,
mas a eterna magia não morre!
Ela habita a sombra dos sonhos,
o infinito fulgor das lembranças,
o silêncio que antecede o mistério,
num reino que jamais deixei,
E quando a alma busca abrigo,
nas horas de sombra e do não sei,
no silêncio que sussurra,
escuto o eco das palavras,
escuto um menino que grita:
Marraio, feridô sou rei!
Affonso Abreu

Advogado militante por 40 anos, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Rio de Janeiro, especialista em Psicologia Analítica Junguiana, analista em formação pelo CEJAA – Centro de Estudos Junguianos Analistas Associados.




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