Affonso Abreu – 21/06/2026
Insensato é o medo de amar,
um medo que não nasce da sombra,
mas da claridade que o amor acende.
É temor intrínseco e imanente,
não pela possível dor da despedida,
mas pelo sopro infinito do pertencer.
O insensato medo de viver o amor,
não olha a perda, teme a transformação e
o não retornar ao lugar de onde partiu.
Viver o amor é não ter medo de si.
É renascer, reconhecer a própria alma,
encontrar com o outro, com o desconhecido.
É despertar deuses adormecidos,
sentir as dores de feridas esquecidas,
ser a criança que ainda acredita.
Viver um amor é matar um pouco,
a persona que construímos,
a fim de suportar o mundo.
O amor não vem com mapas ou certezas;
invade sem protocolos, virtudes ou sensatez,
chega trazendo os enigmas das doces estranhezas.
Soberano, revoga verdades presumidas.
O ego prudente chama isso de perigo.
A alma silente contempla um renascimento.
O amor não promete a felicidade, mas:
Se é triste sofrer por um amor perdido,
mais triste, ainda, é nunca o ter vivido.
Affonso Abreu

Advogado militante por 40 anos, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Rio de Janeiro, especialista em Psicologia Analítica Junguiana, analista em formação pelo CEJAA – Centro de Estudos Junguianos Analistas Associados.




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