Affonso Abreu – 02/08/2026
Velho Chico, eterno.
Vem das serras e busca o mar infinito.
Guarda águas e preserva memórias.
Corre com o tempo, jamais se detém.
Navega os sonhos dos homens
e oculta os segredos da terra.
É memória, destino e eternidade.
Arquétipo das águas profundas,
união da natureza e do espírito,
na mesma corrente infinita.
Em cada curva dormem antigos mistérios,
que o vento conhece, mas nunca revela.
Belo como o primeiro amanhecer e
misterioso como a noite sem estrelas.
Nele repousam luzes, sombras, medos,
e a alma aprende a renascer… talvez!
Carrega na força das águas,
o barro das primeiras chuvas,
o sal das lágrimas esquecidas,
o riso franco das crianças.
As árvores oram em silêncio,
quando ruidoso ele passa.
As pedras guardam silentes os
segredos não escritos.
Conhece o peso das secas;
a alegria das cheias;
a plenitude do sol e da lua;
os homens e os santos;
os canoeiros e os meninos;
que ainda acreditam,
que o horizonte pode caber
na palma de suas mãos.
O Velho Chico não tem pressa,
não envelhece, conversa com o tempo.
Guarda entre as margens e o infinito,
a transparência dos afetos,
as marcas das estiagens,
a abundância das cheias.
Seu o destino não é ser apenas mais um atalho,
mas ser sempre uma doce e eterna travessia!
PS: Opará em tupi-guarani significa rio do tamanho do mar, nome original dado pelos povos indígenas ao rio São Francisco.
Affonso Abreu

Advogado militante por 40 anos, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Rio de Janeiro, especialista em Psicologia Analítica Junguiana, analista em formação pelo CEJAA – Centro de Estudos Junguianos Analistas Associados.





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