Alexandre Santos
Embora pareça uma anomalia, a presença da bandeira do Reino Unido num dos confins do Atlântico Sul (assim como no Mediterrâneo, no Pacífico e por toda a parte) reflete a geopolítica dos tempos nos quais ‘o sol nunca se punha nas terras da rainha. Agora, os tempos são outros e, impulsionado pela vontade psicótica de Donald Trump, é o Tio Sam quem deseja dar as cartas por todo o planeta. De fato, em prova de que ‘um dia, a criatura pode se voltar contra a criatura’, depois de ter anunciado o desejo de controlar o Estreito de Gibraltar e roubar o ouro roubado pela Gran Bretanha da Venezuela, os Estados Unidos dão sinais de querer assumir o controle das Ilhas Malvinas, na costa da Argentina. Para quem não lembra, embora esteja ao largo da Argentina, o Reino Unido se diz senhor do arquipélago, a quem chama de Falklands. Gostando ou não os britânicos, as Malvinas são argentinas, já tendo sido objeto de disputa sangrenta entre os dois países – em 1982, provavelmente por desespero político da junta militar liderada pelo general Leopoldo Galtieri, a Argentina invadiu o arquipélago, dando início a uma guerra na qual, até assinar a vergonhosa derrota para as tropas de Margaret Thatcher 14 de junho (a escaramuça durou apenas 74 dias), morreram 907 pessoas (das quais 649 jovens e inexperientes recrutas argentinos). Pois bem. Agora, esquecido que por ocasião da Guerra das Malvinas, os Estados Unidos traíram a carta da OEA e deram apoio ao Reino Unido, em claro indicador da liderança que imagina ter sobre o governo de Javier Milei, falando no Salão Oval horas depois de ter surrupiado 21% das reservas petrolíferas da Venezuela, o corsário Donald Trump anunciou que começou a ‘reavaliar a posição dos Estados Unidos em relação às Ilhas Malvinas’. Para bom entendedor, meia palavra basta. Não há qualquer dúvida de que, já considerando a Argentina parte do seu quintal, o Tio Sam decidiu tomar o arquipélago. A dúvida persistente é se os EUA pretendem assumir o lugar do Reino Unido (e manter o nome Falkland), apoiar o justo reclamo da Argentina (que já considera um protetorado estadunidense) de retomar as ilhas (restabelecendo o nome Malvinas ou, ainda, arrebata-las de ambos e passar a chama-las Ilhas da America. As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos vão dar pistas sobre as intenções imediatas do império.
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Alexandre Santos

Engenheiro e escritor. Ex-presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco e presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Escritores, presidiu a União Brasileira de Escritores e faz a coordenação nacional da Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural. Autor premiado com livros publicados no Brasil e no exterior, Alexandre é o editor geral do semanário cultural ‘A voz do escritor’ e diretor-geral do canal ‘Arte Agora’.




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