Carlos Eduardo Pestana Magalhães – Gato
PM (Prontos pra Matar) não é polícia, é uma corporação militar ligada ao exército brasileiro fantasiada de entidade policial. São soldados profissionais adestrados para combate e não para policiamento, por isso o uso intenso das armas para qualquer tipo de conflito ou discussão. Tawanna foi apenas mais uma vítima letal da repressão militar no país…
Soldado profissional é preparado para agir com armas e tem licença para tal. Matar faz parte do procedimento padrão de qualquer corporação militar no planeta. Na PM não é diferente, apenas agrega-se a esse comportamento a característica de ser um grupo armado de extermínio da população preta, pobre e periférica a mando do Estado.
Historicamente, essa forma de repressão cruel e violenta vem da existência dos capitães do mato que tinham como função caçar escravos que fugiam, pegá-los, torturar e matar para servir de exemplo aos outros. Essa tática do medo, do pavor é uma das formas de manter o controle em alguma área ou região que se pretende dominar e controlar como as senzalas modernas (favelas, comunidades e periferias).
O que as PM, CGM Civil, Polícia Penal, Força Nacional fazem é exatamente isso sob uma lógica estritamente militar de ocupação e controle populacional. O uso constante da letalidade, com apoio e impunidade do Estado, judiciário e comando deixa claro que a classe trabalhadora continua sendo vista sob a ótica do escravo controlado. Se sair do comportamento esperado, é morto. É o Estado definindo quem morre, é a necropolítica em ação no Brasil…
Os soldados profissionais servem para isso. Chamá-los de policiais é um grande equívoco, visto que polícia estrito senso, em qualquer lugar do mundo minimamente democrático, existe para investigar, prevenir, usar do conhecimento e equipamentos científicos para defender a sociedade contra criminosos de qualquer tipo.
São extensões da Justiça e por isso tem regras de atuação bem definidas e são fiscalizadas pela sociedade civil.
Policial não mata, prende para a Justiça julgar. Se um policial matar alguém, é aberta uma sindicância para apurar como aconteceu e nesse período ele fica afastado e sendo necessário, terá suporte psicológico até o final do processo. Isso é o padrão nos países democráticos.
Militar no Brasil só responde a corporação própria, não há nenhuma forma da sociedade civil fiscalizar e responsabilizar seus atos letais contra pessoas. Desde 1967, 1968, quando a ditadura civil e militar de 64 criou a PM e a Civil, que esse padrão de combate (na época, o combate era contra a guerrilha urbana e rural, nunca teve como objetivo real o policiamento, mas o confronto armado) foi instaurado.
Mesmo com o fim formal da ditadura em 1985, toda estrutura repressiva criada pelos militares se manteve e foi aperfeiçoada. O que existe ainda hoje é a continuidade da ditadura na sua forma mais cruel, violenta e repressiva, com a institucionalização das ações militares como se fossem policiais. Não são e nunca serão.
Cabe à sociedade decidir se mantém esse tipo de repressão assassina e classista (a classe dominante branca e suas elites não sofrem esse tipo de repressão, só a pobreza é criminalizada) ou se organizar para exigir mudanças estruturais na segurança pública acabando de vez com a ingerência da corporação militar brasileira nesse setor.
Caso contrário, as chacinas, as torturas, os assassinatos continuam acontecendo impunemente…
Carlos Eduardo Pestana Magalhães (Gato)

Jornalista, sociólogo, membro da Comissão Justiça paz de São Paulo, do Grupo Tortura Nunca Mais e da Geração 68 Sempre na Luta…


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