Estamos colhendo mais espinhos do que rosas no vasto jardim da vida

Francisco Calmo Calmon

O recrudescimento do fascismo não é obra do acaso nem caiu do céu.

Com a queda do muro de Berlim e o fim da União Soviética, a dialética revolucionária cedeu para a acomodação do antagonismo ideológico. Gorbachev e Yeltsin foram os coveiros do socialismo como alternativa ao capitalismo predatório.

Durante longos anos, o mundo capitalista viveu ajustes, e não reformas capazes de alterações estruturais na natureza predatória do sistema. Recentemente, com o estágio alcançado pelo socialismo chinês, a via socialista voltou à pauta internacional, notadamente quando o capitalismo em seu estágio último — o imperialismo — está em crise estrutural, pois já não se sustenta com a exploração e opressão a dezenas de países vassalos. Ele quer mais; sugar muito mais para retardar o seu declínio. Já não passa verniz jurídico para as suas ações salteadoras: sequestra o presidente de um país e, em pouco tempo, o fato fica amortecido; o mundo se cala frente ao bandoleiro.

O direito internacional virou letra morta; a soberania virou relativa, a depender do arsenal de cada parte. Poucos dirigentes e líderes assertivam valores ideológicos contrários aos da burguesia internacional. Trump assume sem peias o darwinismo social e o malthusianismo bélico, e ficamos todos a ver navios. Atira pedra no telhado vizinho quando seu telhado já não existe, porque é o país que mais produz e fornece armas para quase todos os países e grupos criminosos.

Os presidentes da China, da Colômbia e do México transmitem narrativas com valores de um mundo de paz e humanista. Isso nos remete a indagações: como o Vietnã se mantém socialista; como a Coreia do Norte se mantém aguerridamente anti-estadunidense; como Cuba está sob cerco; como a América do Sul está sob pressão permanente dos EUA. E vem à reflexão Duas Táticas, de Lênin.

Os bolcheviques venceram lá e realizaram a revolução; os mencheviques venceram aqui e alhures e fizeram a conciliação que gerou ilusões. O Brasil é o maior país da América Latina, mas não lidera. Depois do impedimento da Venezuela de entrar nos Brics e após o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nosso país, Brasil, é mais aparência do que o gigante despertado.

A via da conciliação excomungou a luta ideológica; a utopia desapareceu do horizonte, os sonhos se transformaram em pesadelos fascistas. Gostaria de ter receita nova, mas não a tenho, nem sei se existe; fico com a antiga: travar a luta contra o capitalismo e o imperialismo, sem disfarce, sem timidez, sem reserva, e por um socialismo da paz.

Vamos plantar mais e colher rosas em abundância, pois os espinhos ferem a alma. 21 de abril: rememoramos a luta de um libertário patriota; é adubo na plantação e rega da ideologia socialista.

Francisco Calmon


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