Poesia domingueira nº 42. Silentium quod Suggerit. O Silêncio que sugere.

Affonso Abreu – 12/07/2026

A poesia não está no que é dito,
mas no silêncio que sugere,
na palavra que se cala,
para que a alma possa falar.

Está nas gotas da chuva mansa;
no delicado perfume da alfazema;
nos segredos que a tarde recolhe,
quando a sombra atravessa o jardim.

Há encontros que são espelhos,
desencontros que são caminhos,
e estranhos acasos que a alma reconhece
como ecos de um lugar nunca visitado.

E o poeta não se cansa, avança!
Desce às profundezas do si mesmo,
conversa com seus fantasmas,
mergulha em seus abismos,
convive com a própria sombra.

E assim, circundando o mistério,
caminha entre símbolos, sonhos e silêncios,
ao encontro de um mundo, oculto e ignorado,
onde os opostos se reconciliam,
e o amor, enfim, deixa de ser procura,
para tornar-se sublime eternidade.

Affonso Abreu

Advogado militante por 40 anos, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Rio de Janeiro, especialista em Psicologia Analítica Junguiana, analista em formação pelo CEJAA – Centro de Estudos Junguianos Analistas Associados.


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